CENTRO EDUCACIONAL 06- GAMA
DISCIPLINA : FILOSOFIA
PROF: DENYS F. DA COSTA
TEXTO BASE PARA O ESTUDO DIRIGIDO
1º ANO
filosofia na Idade Média – por A. S. McGrade
Como era fazer filosofia na Idade Média? [...]
O que nós conhecemos como filosofia medieval emergiu no fim do Império Romano a partir de uma acomodação mútua da fé cristã e do pensamento clássico. Essa mistura passou por séculos de dormência no Ocidente, enquanto ao mesmo tempo começou a tomar ar fresco no mundo islâmico. No século XI e XII a filosofia emergiu numa nova Europa, em forma alterada e contra algumas oposições. Então, aumentada e desafiada pelo trabalho dos pensadores islâmicos e judeus, alcançou no século XIII uma idade de ouro de análise sistemática e especulação correspondente a um novo grau de racionalização na política e na sociedade. Finalmente, a significância do século XIV permanece contestada, a despeito de muitos estudiosos recentes demonstrarem seu brilho. [...]
EMERGÊNCIA DA FILOSOFIA MEDIEVAL NO IMPÉRIO ROMANO TARDIO
A emergência da filosofia medieval é surpreendente à luz da oposição entre o Cristianismo e a filosofia, oposição que data dos tempos em que São Paulo denunciava a “sabedoria do mundo” (especificamente, a sabedoria dos gregos). Mas falando historicamente, quando Paulo foi realmente confrontado com filósofos no monte do Areópago em Atenas, assumiu uma linha conciliatória, notando semelhanças entre seus ensinamentos e os versos de um poeta estóico. No antigo mundo mediterrâneo, a filosofia não consistia de uma reflexão separada do dia-a-dia. Ela exigia um engajamento total da pessoa. Assim, no século II e III, a filosofia, como praticada pelos Estóicos, Platônicos e Epicuristas, começava a ficar muito parecida com o Cristianismo professado entre gregos e romanos convertidos.
A filosofia medieval nasceu neste ambiente intelectual. Não por coincidência, essas eram as circunstâncias sob as quais o Cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano. De fato, é apenas um ligeiro exagero caracterizar a conversão legal iniciada no século IV pelo imperador Constantino como um epifenômeno de um meio cultural mais geral, que incluía o espalhamento das comunidades judaicas e de sua religião pelo Mediterrâneo, com a correspondente helenização do pensamento judeu a partir da aquisição de idéias filosóficas gregas. Por volta do século III, um discurso comum floresceu entre a elite – um discurso bem semelhante, seja pagão, judeu ou cristão. A constituição de Constantino foi somente fazer da variante cristã a dominante, eventualmente por meios opressivos, a partir do século IV. Mas o aparato conceitual, as inclinações intelectuais e as ferramentas interpretativas que foram usadas no curso desse processo não eram nem especificamente cristãs, nem eram novas. [...]
Os primeiros séculos a partir da conversão do Império Romano observaram a maturação de uma especulação cristã que, em grande parte, continuava os padrões de pensamento da Antiguidade, padrões que precediam a conversão ou que eram evidentes após a conversão de Roma em correntes filosóficas externas ao círculo de influência cristã. Conseqüentemente, a primeira fase da filosofia medieval pode ser considerada como fazendo parte de uma trajetória histórica que conecta a filosofia da Grécia Clássica com a praticada no mundo moderno.
A situação mudou dramaticamente do fim do século VI em diante. (…) Reflexos da tradição anterior era encontrada na Espanha, na época sujeita a reinos dos Visigodos. Em todos os outros lugares do Ocidente, a atenção deslocou-se somente para fins narrativos, afetivos e práticos. Mesmo a escrita sobre assuntos religiosos tornou-se menos teológica, no sentido de ter se tornado menos compromissada com o exame e a exploração sistemática das doutrinas, e mais devocional e movida pela inspiração. Na parte ocidental do Império, o imperador Justiniano é comumente acusado de ter fechado as escolas de filosofia em Atenas em 529. Se houve um fechamento de fato (pois filósofos pagãos continuaram a atrair estudantes a Atenas depois de Justiniano), isso não deveria ser pensado como o suspiro de morte para a filosofia Greco-Romana. Também em Atenas, naquela época, a filosofia já não estava mais no centro da atenção intelectual.
Isso nos leva à segunda parte da filosofia medieval, que segue até o meio do século XI. A partir do fim do século VI a metade ocidental do mundo mediterrâneo sofreu uma série de profundos choques econômicos e demográficos, que derrubaram o comércio, a política e, finalmente, a cultura dos centros vitais do Império Romano e da economia no Leste falante do grego. O que se seguiu não foi a extinção do estudo clássico latino que havia florescido na primeira fase da filosofia medieval, mas um estreitamento de foco e um redirecionamento de interesse. Já no século V, as escolas públicas de Latim e de literatura haviam desaparecido. Romanos e Germanos proeminentes que aspiravam à eminência estudavam Letras em casa, talvez com um tutor privado. Esses eram os indivíduos que carregaram o que sobrava do discurso literato, enquanto a política e a economia do Império dissolviam-se. Era entre bispos cristãos e nos grupos de dependentes e conselheiros em torno deles que a cultura ocasionalmente elevava-se acima do nível elementar. Contudo, as ferramentas disponíveis não incluíam o que as gerações prévias chamavam filosofia, nem mesmo as ferramentas conhecidas como o trivium, a lógica ou a dialética. O que era estudado em casa era simples gramática, o que incluía familiaridade com os clássicos da prosa e da poesia latina, e rudimentos de retórica ou estilo. Os produtos compostos nos salões episcopais de alta cultura eram primariamente sermões, enumerações de milagres e história.
Assim, começou o período de dormência da filosofia medieval. Com raríssimas exceções, houve pouco nesses séculos que hoje nós identificaríamos como “filosófico”, e, talvez mais importante, não havia muito que Agostinho ou Boécio teriam chamado filosofia tampouco. Em vez disso, a inspiração e o veículo para o aprendizado eram assentados com uma nova cultura dos monastérios. Quando o pensamento abstrato especulativo e analítico emergiu novamente no fim do século XI, todavia, emergiu no ambiente monástico. (…)
Com a exceção da erudição do período Carolíngeo, a cultura monástica ocidental na Idade Média central manteve um estudo direcionado para a ascese, capaz de produzir maravilhosas peças de canto, oração e liturgia, mas dificilmente trabalhos de importância especulativa. (…)
As raízes da transformação social ocidental posterior têm origem no século X no que viria a tornar-se uma revolução econômica na Europa medieval. Por uma combinação de inovações tecnológicas e uma reconfiguração da estrutura social que estava anteriormente amarrada ao feudalismo, o noroeste da Europa evoluiu entre 900 e 1100 de uma paisagem rural esparsamente povoada de agricultura de subsistência a uma topografia mais complexa de excesso de produção, população rapidamente crescente, emergentes cidadelas (ou mesmo pequenas cidades), e o início de um mercado significante.
Foi essa transformação fundamental, de uma sociedade imóvel para uma dinâmica, que explica o avanço do Ocidente no fim da era medieval e no início dos tempos modernos. Sinais internos dessa nova ordem podem ser vistos no revigoramento das monarquias reais na França e na Inglaterra, na aparição de comunas urbanas auto-governadas na Itália, e na reforma da hierarquia eclesiástica da Igreja, evidenciada na pressão pelo celibato clerical e na maior independência do controle secular. Externamente, a mudança anunciou-se numa postura mais agressiva em relação aos vizinhos da Europa Latina. A Reconquista – a expansão militar dos principados cristãos do Norte na Espanha muçulmana – estava acontecendo pelo meio do século XI. Em 1054 um Papado mais seguro e autônomo em Roma excomungou o patriarca de Constantinopla. O cisma com a Ortodoxia Oriental remonta a esse tempo. Algo mais famoso aconteceu em 1095, quando começou a primeira das massivas, e por duzentos anos periódica, invasões de soldados ocidentais visando fortuna e salvação no Oeste mediterrâneo, as Cruzadas. (…)
Com relação à filosofia, esses eventos significaram o nascimento de uma sociedade na qual os homens cultos eram livres para direcionar seus esforços à análise e à especulação por seus próprios esforços (…). Sintomas de novos hábitos mentais e de um tipo de cultura literária inteiramente diferente de qualquer outro apareceram nas instituições de ensino e de produção literária mais características da Europa Ocidental na Idade Média: os monastérios. Eles não estiveram apenas na vanguarda das devoções religiosas e da escrita histórica característicos da Idade Média do segundo período, mas também proveram as fundações pedagógicas para essas áreas. Como indicado acima, essa fundação incluía gramática e retórica, mas não a lógica. Começando no século XI, alguns dos mais capazes monges começaram a procurar entre os textos lógicos de Aristóteles e Boécio, que estavam conservados em suas livrarias, por algo que sentiam faltar em sua educação. (…)
Este novo modelo de busca intelectual reviveu uma forma de discurso por muito tempo ausente do Ocidente. Também alterou o caráter desse discurso. Com sua ênfase excepcional na lógica, infundiu a erudição da Alta Idade Média com uma visão profundamente analítica. Em seus diálogos sobre a verdade, o livre-arbítrio ou a queda do Demônio, mesmo os devotos contemplativos professores medievais podem soar mais como mestres universitários do fim do século XIX do que como os medievais da primeira fase. A necessidade pela lógica assumiu um lugar central no fim do século XI e no início do XII com uma velocidade estonteante. (…)
Agora a lógica encontrava-se no coração de todo o conhecimento e constituía o paradigma para a investigação em todos os campos. Começando com a leitura e exposição literal na classe de aula dos textos fundamentais em um assunto, um sistema formal de questões e respostas aparecia, a partir do qual os estudantes poderiam tanto exercitar suas habilidades lógicas em debate e por as palavras das autoridades sob as lentes da análise crítica, avançando na direção de uma maior compreensão, ganhando consistência de exposição e maior claridade de entendimento. Tal método de sala de aula de análise, debate e resolução rapidamente tornou-se padrão entre as escolas emergentes. As mais importantes disciplinas do ensino da Alta Idade Média começaram a tomar forma, cristalizadas à volta de novos livros-texto recentemente compostos e rapidamente adotados universalmente e eram estruturadas como coleções de debates de pontos que tocavam todos os aspectos significantes do assunto tratado.
McGRADE, A.S. The Cambridge Companion to Medieval Philosophy. Cambridge: Cambridge University Press, 2006. Tradução: Gustavo Bertoche.
patrística
Termo que designa, de forma genérica, a filosofia cristã nos primeiros séculos logo após o seu surgimento, ou seja, a filosofia dos Padres da Igreja, da qual se originará, mais tarde, a *escolástica. A patrística surge quando o Cristianismo se difunde e consolida como religião de importância social e política, e a Igreja se firma como instituição, formulando-se então a base filosófica da doutrina cristã, especialmente na medida em que esta se opõe ao paganismo e às heresias que ameaçam sua própria unidade interna. Predominam assim os textos apologéticos, em defesa do Cristianismo. A patrística representa a síntese da filosofia grega clássica com a religião cristã, tendo seu início com a escola de *Alexandria, que revela um pensamento influenciado pelo espiritualismo neoplatônico e pela doutrina ética do estoicismo. Destacam-se aí, S. Justino Mártir (c. 105- c.165), Clemente de Alexandria (c.150-c.215), Orígenes (c.185-254). A escola de Capadócia desenvolveu-se no Império Romano do Oriente (Constantinopla), com S. Basilio (330-389), S. Gregório Nazianzeno (c.329-c.390) e S. Gregório de Nissa (c.335-c.395). Temos ainda, na tradição grega do Oriente, o Pseudo-Dionísio, o Areopagita (séc. VI), S. Máximo, o Confessor (580-662) e S. João Damasceno (c.674-c.749), todos de influência neoplatônica. O principal filósofo de tradição patrística, pelo grau de elaboração de sua obra, por sua originalidade e influência durante o desenvolvimento da filosofia cristã no período medieval é Sto. Agostinho, sendo seu tratado Sobre a doutrina cristã, um dos mais representativos dessa tradição. A principal fonte para o conhecimento de textos de patrística é a Patrologia grega e latina, editada por J.P. Migne no século XIX, publicada em Viena.
A Escolástica (ou Escolasticismo) é uma linha dentro da filosofia medieval, de acentos notadamente cristãos, surgida da necessidade de responder às exigências da fé, ensinada pela Igreja, considerada então como a guardiã dos valores espirituais e morais de toda a Cristandade. Por assim dizer, responsável pela unidade de toda a Europa, que comungava da mesma fé.
A Filosofia que até então possuía traços marcadamente clássicos e helenísticos sofreu influências da cultura judaica e cristã, a partir do século V, quando pensadores cristãos perceberam a necessidade de aprofundar uma fé que estava amadurecendo, em uma tentativa de harmonizá-la com as exigências do pensamento filosófico. Alguns temas que antes não faziam parte do universo do pensamento grego, tais como: Providência e Revelação Divina e Criação a partir do nada passaram a fazer parte de temáticas filosóficas. A Escolástica possui uma constante de natureza neoplatônica, que conciliava elementos da filosofia de Platão com valores de ordem espiritual, reinterpretadas pelo Ocidente cristão. E mesmo quando Tomás de Aquino introduz elementos da filosofia de Aristóteles no pensamento escolástico, esta constante neoplatônica ainda é presente.
Basicamente, a questão chave que vai atravessar todo o pensamento escolástico é a harmonização de duas esferas: a fé e a razão. O pensamento de Agostinho, mais conservador, defende uma subordinação maior da razão em relação à fé, por crer que esta venha restaurar a condição decaída da razão humana. Enquanto que a linha de Tomás de Aquino defende uma certa autonomia da razão na obtenção de respostas, por força da inovação do aristotelismo, apesar de em nenhum momento negar tal subordinação da razão à fé. Para a Escolástica, algumas fontes eram fundamentais no aprofundamento de sua reflexão, por exemplo os filósofos antigos, as Sagradas Escrituras e os Padres da Igreja, autores dos primeiros séculos cristãos que tinham sobre si a autoridade de fé e de santidade.
Os maiores representantes do pensamento escolástico são os dois pensadores citados acima, que estão separados pelo tempo e pelo espaço: Agostinho de Hipona, nascido no norte da África no fim do século IV e Tomás de Aquino, nascido na Itália do século XIII. Embora seja arriscado dizer que sejam as únicas referências relevantes do período medieval, ambos conseguiram sintetizar questões discutidas através de todo o período: Agostinho enquanto mestre de opinião relevante e autoridade moral e Tomás de Aquino, pelo uso de caminhos mais eficazes na obtenção de respostas até então em aberto.
SANTO AGOSTINHO: A FÉ REABILITA A RAZÃO
Oficialmente, o cristianismo triunfa em 313, quando o imperador Constantino (c. 280-337), pelo edito de Milão, concede liberdade de culto aos cristãos. Na prática, po¬rém, o cristianismo, com seus fiéis solidamente organi¬zados sob a autoridade dos padres, dos bispos e do papa, já possuía uma instituição bastante influente: a Igreja (do grego ekklesía, isto é, "assembléia").
Mas a elevação formal da Igreja de Roma a centro da cristandade acirrou também a disputa entre as interpre¬tações divergentes da mensagem de Jesus. No plano po¬lítico, esse confronto de opiniões seria resolvido no Con¬cílio de Nicéia (325), convocado por Constantino, e em outras reuniões do gênero, em que se estabeleceu a orto¬doxia (literalmente, "opinião correta") da doutrina cristã. Desse processo - do qual fizeram parte violências con¬tra os considerados hereges - resultou a Igreja Católica, que em grego significa Igreja universal.
A consolidação da ortodoxia exige, no entanto, mais do que um ato de poder que a decrete. Ela também pre¬cisa ser convincente, apresentando-se não apenas como revelação mas também como resultado de raciocínios. A filosofia patrística (dos santos padres) representa, em algumas de suas vertentes, esse esforço de munir a fé de argumentos racionais.Dentre os Santos padres, Santo Agostinho é quem leva mias longe a conciliação entre a fé e a razão: elabora a filosofia cristã, como ele a chamaria.
O Verbo em cada um
A vida de Santo Agostinho, minuciosamente narrada por ele próprio em Confissões, é quase uma demonstra¬ção, na prática, de seu pensamento: experimentou o ceti¬cismo quanto ao conhecimento, sofreu o abismo do ho¬mem em pecado, reencontrou a esperança na graça divi¬na, conheceu a felicidade e a certeza da verdade na fé.
Agostinho nasceu em 354 em Tagaste, na província ro¬mana de Numídia, na atual Argélia. Educou-se em Cartago, onde se tornou professor de retórica. Mudou-se para Roma e, depois, para Milão. Durante esse período, mostrou grande inquietação intelectual: leu Cícero e uma versão latina de Categorias, de Aristóteles. Em seguida aderiu ao maniqueísmo, seita fundada pelo sábio persa Mani (c. 215-276), baseada na crença de dois princípios absolutos que regeriam o mundo: o Bem e o Mal.
Mais tarde, desiludido com os maniqueus, conheceu as concepções da Academia platônica, tomadas por um profundo ceticismo. Leu também PIotino, mas a influên¬cia decisiva veio de Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, que indicaria a Agostinho o caminho da fé. Por fim, converteu-se em 386.
Retirou-se para sua terra natal e escreveu obras como Contra os Acadêmicos, Da Ordem e De Magistro. Ordenado padre de Hipona (na atual Argélia), e, em 395, tornado bispo da cidade, passou a dedicar-se ao sacerdócio, mas não parou de escrever. Confissões, Da Trindade e A Cidade de Deus são desse período. Ele morreu em 430, com Hipona cercada por vândalos, um povo germano, que, junto com outros povos ditos "bárbaros", aniquilava o Império Romano .
Os séculos IV e V, em que Agostinho vive, são uma época em que a filosofia, talvez com exceção do neopla¬tonismo de PIotino, perdeu a confiança na razão. Mergu-lhada no ceticismo, ela duvida da possibilidade do co¬nhecimento da verdade. Cabe então a Agostinho restau¬rar a certeza da razão, e isso, paradoxalmente, por meio da fé. Para ele, o conhecimento da verdade é um fato, como provam as demonstrações matemáticas e lógicas, irrefutáveis. Resta então saber como tal conhecimento é possível, qual o seu aval.
O homem e seu intelecto, mutáveis e perecíveis, não podem ser os avalistas do conhecimento, pois a verdade deve ser eterna. Assim, a verdade só pode ser assegura-da por algo que se coloque acima dos homens e das coi¬sas: Deus. Se a razão, na busca de sua certeza, depara com a fé em Deus, é também a fé que permite resgatar a digni-dade da razão: "Compreender para crer, crer para com¬preender", escreve ele.
Agostinho situa-se na passagem do mundo greco-ro¬mano para a Idade Média, cujo valor preponderante é o cristianismo. De certo modo, ele próprio representa essa passagem: nutriu-se dos resquícios da cultura helenística para depois converter-se à fé cristã. Ao romper com o passado, introduzindo uma noção de Deus alheia à filo¬sofia de até então, Agostinho o faz de um modo que ca¬racteriza uma certa continuidade da tradição filosófica.
A rigor, essa continuidade é a confiança na razão, sem o que a filosofia nem sequer existiria. Ao contrário de alguns representantes da filosofia patrística - como Tertuliano (c. 155-220), célebre pela fórmula "creio porque é absurdo, a ele atribuída - , Agostinho esforça-se por reabilitar a razão diante da fé. Ela serviria ao menos (mas não só isso) Para demonstrar a necessidade do credo.
A continuidade também se manifesta nos temas que Agostinho aborda: o universo e o princípio que o gover¬na, a questão da possibilidade do conhecimento/a ética e a política - mas revestidos da ideologia cristã. Por exemplo, ele concorda com a Academia platônica de sua época, para a qual nada há de comum entre as coisas e as palavras que as designam, mas disso não conclui que o conhecimento só pode chegar ao provável. Traduzin¬do a idéia estóica de que tudo participa do logos, que é corpóreo, Agostinho afirma que o conhecimento é dado pela presença íntima, em cada homem, do Verbo feito carne (Cristo), cuja verdade e certeza o ser humano ex¬pressa por meio das palavras.
As cidades, dos homens e de Deus
Para Agostinho, Deus, como o Uno de PIotino é o transcendente absoluto, indizível pois nada se compara à sua divina perfeição. Por isso, sua teologia (conhecimen¬to a respeito de Deus) é de caráter muito mais negativo do que ,afirmativo: "Se não podeis" escreve, "compreen¬der agora o que Deus é,compreendei ao menos o que Ele.
Insondável acima da razão humana, Deus é único mas também três: Pai é a essência divina indizível; Fi¬lho é o Verbo e o Logos; Espírito Santo é o Amor divino que cria tudo o que existe. A Trindade assemelha-se, em parte, às três hipóstases idealizadas por Plotino: o pró¬prio Uno, que é absolutamente transcendente; a Inteligência que torna inteligíveis as coisas; e a Alma, que dá vida aos seres.
Feito à imagem e semelhança de Deus, o homem re¬produz nele mesmo a Trindade: a existência (Pai), o co¬nhecimento (Filho) e a vontade (Espírito Santo). A ordem do universo também é análoga à Santíssima Trindade e manifesta-se de vários modos, sempre em tríades. O mundo, por exemplo, constitui-se de coisas inanimadas,seres vivos e seres inteligentes, que são os homens, por sua vez dotados de corpo, alma e espírito, e assim por diante. A ordem do mundo é bela e boa, pois é criação de Deus. Isso significa que o mal propriamente não exis¬te: é apenas o afastamento em relação a Deus, o que no homem se manifesta como pecado.
O pecado é a subversão da bela e boa ordem criada por Deus, e aparece, por exemplo, quando a alma se torna serva do corpo. O livre-arbítrio, a vontade humana é im-potente para buscar a salvação. O próprio Agostinho ser¬ve como testemunha disso, pois, como narra em Confissões, não conseguia fugir do pecado, a salvação só lhe veio quando Deus assim quis. Era um eleito, predestina¬do pela Vontade divina. Nesse sentido, para Agostinho, a bondade e a caridade não são meios de salvação, pois tais atos são resultado da eleição divina. Nesse aspecto, o pensamento agostiniano é radicalmente contrário à tra¬dição filosófica, que via na salvação (ou na felicidade) o resultado do esforço do homem, pela filosofia. O Deus dos filósofos não é o Deus cristão, e, se Agostinho per¬corre os caminhos da filosofia/ é para reafirmar com maior vigor sua fé na onipotência de Deus.
A história da humanidade é a história do pecado do homem, por livre-arbítrio, e a salvação de alguns predes¬tinados, pela graça divina. Os que pecam formam a cida¬de terrestre, que é o mundo dos homens. Essa cidade não é necessariamente má, mas, governada pela vontade hu¬mana, tende para o pecado e é de tempos em tempos castigada por Deus – como foi o caso, por exemplo, do Dilúvio universal. Por outro lado, porém, em meio aos homens ergue-se aos poucos, mas de modo firme, a cidade de Deus, cons¬truída pelos predestinados. Agostinho propõe assim uma filosofia da história: a finalidade da história, que coinci¬de com o seu fim, é a vitória definitiva da Cidade de Deus, com o retorno do Messias e o Juízo Final.
SÃO TOMAS: UM CAMINHO ATÉ DEUS
Quem analisa as provas da existência de Deus elabo¬radas por Santo Tomás de Aquino tem a impressão de estar diante de um pensador extremamente racionalista. Ledo engano. Ele é, acima de tudo, teólogo e religioso, para quem a filosofia deve servir à fé. Não no sentido de auxiliá-la, mas de submeter-se a ela. Para Tomás, quan¬do a fé e a razão entram em desacordo, é sempre esta que se equivoca. A Igreja soube reconhecer essa intransigen¬te defesa: em 1323, Tomás de Aquino foi canonizado e, no século XIX, seu pensamento assumiu a condição de doutrina oficial do catolicismo.
Para ele, não há conflito entre fé e razão - a tal ponto que lhe é possível demonstrar a existência de Deus. Re¬cusa a solução apressada de Santo Anselmo, para quem Deus, sendo perfeito, deveria ter como um de seus atri¬butos perfeitos o da existência. Segundo Tomás de Aquino, definir Deus como ser perfeito ainda não impli¬ca sua existência. A definição é uma idéia, e nada garan¬te que uma idéia possa existir na realidade.
O ponto de partida, então, é o mundo sensível, percebi¬do pelos sentidos. Estes indicam que o mundo é dotado de movimento. Mas, segundo Aristóteles, nada se move por si. A causa do movimento deve ser causada e, se não se quiser estender a série das causas ao infinito (o que não explicaria o movimento presente), é preciso admitir uma causa absolutamente imóvel e primeira: Deus. O mesmo raciocínio vale para a causa em geral. As coisas são ou cau¬sa ou efeito de outras, não sendo possível ser causa e efei¬to ao mesmo tempo. Deve haver, então, ou uma sucessão infinita de causas - o que é absurdo -, ou uma causa absolutamente primeira e não causada.
Os dados dos sentidos também mostram que as coisas existem e perecem. Isso significa que a existência não lhes é necessária, essencial mas apenas uma possibilidade contingente. Por isso, a existência depende de uma cau¬sa, exatamente aquela que tenha a existência como essên¬cia, uma existência necessária.
Além disso, o mundo apresenta uma série de seres me¬nos ou mais perfeitos e que são comparados entre si de maneira relativa. Mas como saber o que é mais perfeito do que outro se não houver um padrão a partir do qual se possa medir os graus de perfeição? A hierarquia das coisas relativas depende então de um ser que seja a me¬dida absoluta e eterna da perfeição.
Por fim, essa hierarquia apresenta-se como uma ordem, em que cada ser cumpre sua finalidade: os seres vivos reproduzem-se constantemente, e os corpos sempre bus¬cam o seu lugar natural, mesmo que disso não tenham conhecimento. Se a finalidade de cada ser é assim atingi¬da, mesmo que inconscientemente, deve haver uma In¬teligência que conheça e organize o mundo de acordo com
sua finalidade.
Desse modo, a razão, por vários meios, atinge o conhecimento da existência de Deus. A razão que demonstra e a fé que revela estão, por isso, em acordo, sem que entre elas haja contradição. Ambas são modos diferentes pelos quais se manifesta a mesma e única Verdade.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
ESTUDO DIRIGIDO IDADE MÉDIA 1° ANO
CENTRO EDUCACIONAL 06-GAMA/DF
Disciplina: FILOSOFIA
PROF: DENYS F.DA COSTA
NOME: __________________________________________________Nº_______
1º PARTE ( VALOR 1,0)
JULGUE OS ITENS ABAIXO E JUSTIFIQUE AS alternativas ERRADAS.
A) O APOGEU DA FILOSOFIA MEDIEVAL OCORREU NO SÉCULO XII.
B) A FILOSOFIA CRISTÃ, TORNOU-SE OPOSTA AO CRISTIANISMO.
C) A PRIMEIRA FASE DA FILOSFIA MEDIEVAL NÃO FOI UMA TRANSIÇÃO.
D) NO SÉCULO VI, AS ESCOLAS DE FILOFIA, FORAM FECHADAS EM ROMA POR JUSTINIANO.
E) A FILOSOFIA MEDIEVAL TEVE UM PERÍODO DE RECESSÃO.
E) PARA EXPLICAR A TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO MEDIEVAL, A SOCIEDADE
ESTAVA NUM ESTADO DINÂMICO E PASSOU PARA UMA SOCIEDADE ESTÁVEL.
G) NO SÉCULO XI, APARECERAM INSTITUIÇÕES DE ENSINO DE PRODUÇÃO LITERÁRIA.
H) OS MONGES COMEÇARAM A BUSCAR CONHECIMENTO NOS FILÓSOFOS COMO PLATÃO E ARISTÓTELES.
I) ANÁLISE, DEBATE E RESOLUÇÃO,FAZIAM PARTE DE UM MÉTODO QUE TORNOU-SE PADRÃO NA IDADE MÉDIA.
J) A LÓGICA NÃO FAZIA PARTE DAS DOUTRINAS ENSINADAS NA IDADE MÉDIA.
PARTE 02 (VALE 2,0)
LEIA, PENSE, REFLITA E DRESPONDA AS QUESTÕES ABAIXO.
2) Em algum momento desse período do histórico a filosofia praticada pelos estóicos, aproximou-se do cristianismo ? (4 linhas)
3) O termo patrística resume-se apenas em seu conceito genérico que é filosofia cristã? Comente.( 4 linhas)
4) Porque Agostinho é considerado o principal filósofo da patrística?
5) Em qual filósofo grego a patrística se fundamentou em sua base teórica?
(5 linhas)
6) A Escolástica era uma linha parte da filosofia medieval? Responda com argumentos(4 linhas)
7) De que forma a escolástica conciliou a questão entre a fé e a razão? (4 linhas)
8) Qual era o contexto Histórico para que culminou ascensão do cristianismo na Idade Média? (4 linhas)
9)Em um período de sua formação intelectual, stº Agostinho aderira ao maniqueísmo. Assim comente essa doutrina. (4 linhas)
10) Comente a seguinte afirmação”compreender para crer, crer para compreender.” (4 linhas)
11) Faça um breve comentário sobre a suposta contradição no pensamento de Stº Agostinho. (4 linhas)
12)Como Stº Agostinho define o pecado? (4 linhas)
13) Como Stº Agostinho entende o conhecimento? (4 linhas)
14) Para Tomás de Aquino, a fé é dogmática (uma verdade incontestável).Assim destaque do texto o argumento que comprova essa idéia. (4 linhas)
15) Qual a importância da hierarquia para São Tomás de Aquino?
BOM TRABALHO
Disciplina: FILOSOFIA
PROF: DENYS F.DA COSTA
NOME: __________________________________________________Nº_______
1º PARTE ( VALOR 1,0)
JULGUE OS ITENS ABAIXO E JUSTIFIQUE AS alternativas ERRADAS.
A) O APOGEU DA FILOSOFIA MEDIEVAL OCORREU NO SÉCULO XII.
B) A FILOSOFIA CRISTÃ, TORNOU-SE OPOSTA AO CRISTIANISMO.
C) A PRIMEIRA FASE DA FILOSFIA MEDIEVAL NÃO FOI UMA TRANSIÇÃO.
D) NO SÉCULO VI, AS ESCOLAS DE FILOFIA, FORAM FECHADAS EM ROMA POR JUSTINIANO.
E) A FILOSOFIA MEDIEVAL TEVE UM PERÍODO DE RECESSÃO.
E) PARA EXPLICAR A TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO MEDIEVAL, A SOCIEDADE
ESTAVA NUM ESTADO DINÂMICO E PASSOU PARA UMA SOCIEDADE ESTÁVEL.
G) NO SÉCULO XI, APARECERAM INSTITUIÇÕES DE ENSINO DE PRODUÇÃO LITERÁRIA.
H) OS MONGES COMEÇARAM A BUSCAR CONHECIMENTO NOS FILÓSOFOS COMO PLATÃO E ARISTÓTELES.
I) ANÁLISE, DEBATE E RESOLUÇÃO,FAZIAM PARTE DE UM MÉTODO QUE TORNOU-SE PADRÃO NA IDADE MÉDIA.
J) A LÓGICA NÃO FAZIA PARTE DAS DOUTRINAS ENSINADAS NA IDADE MÉDIA.
PARTE 02 (VALE 2,0)
LEIA, PENSE, REFLITA E DRESPONDA AS QUESTÕES ABAIXO.
2) Em algum momento desse período do histórico a filosofia praticada pelos estóicos, aproximou-se do cristianismo ? (4 linhas)
3) O termo patrística resume-se apenas em seu conceito genérico que é filosofia cristã? Comente.( 4 linhas)
4) Porque Agostinho é considerado o principal filósofo da patrística?
5) Em qual filósofo grego a patrística se fundamentou em sua base teórica?
(5 linhas)
6) A Escolástica era uma linha parte da filosofia medieval? Responda com argumentos(4 linhas)
7) De que forma a escolástica conciliou a questão entre a fé e a razão? (4 linhas)
8) Qual era o contexto Histórico para que culminou ascensão do cristianismo na Idade Média? (4 linhas)
9)Em um período de sua formação intelectual, stº Agostinho aderira ao maniqueísmo. Assim comente essa doutrina. (4 linhas)
10) Comente a seguinte afirmação”compreender para crer, crer para compreender.” (4 linhas)
11) Faça um breve comentário sobre a suposta contradição no pensamento de Stº Agostinho. (4 linhas)
12)Como Stº Agostinho define o pecado? (4 linhas)
13) Como Stº Agostinho entende o conhecimento? (4 linhas)
14) Para Tomás de Aquino, a fé é dogmática (uma verdade incontestável).Assim destaque do texto o argumento que comprova essa idéia. (4 linhas)
15) Qual a importância da hierarquia para São Tomás de Aquino?
BOM TRABALHO
terça-feira, 23 de agosto de 2011
texto sobre ética
Ética (do grego ethos, que significa modo de ser, caráter, comportamento) é o ramo da filosofia que busca estudar e indicar o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade. Diferencia-se da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano. [1][2].
Na filosofia clássica, a ética não se resume ao estudo da moral (entendida como "costume", do latim mos, mores), mas a todo o campo do conhecimento que não é abrangido na física, metafísica, estética, na lógica e nem na retórica. Assim, a ética abrangia os campos que atualmente são denominados antropologia, psicologia, sociologia, economia, pedagogia, educação física, dietética e até mesmo política, em suma, campos direta ou indiretamente ligados a maneiras de viver.
Porém, com a crescente profissionalização e especialização do conhecimento que se seguiu à revolução industrial, a maioria dos campos que eram objeto de estudo da filosofia, particularmente da ética, foram estabelecidos como disciplinas científicas independentes. Assim, é comum que atualmente a ética seja definida como "a área da filosofia que se ocupa do estudo das normas morais nas sociedades humanas" [3] e busca explicar e justificar os costumes de um determinado agrupamento humano, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Neste sentido, ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a moral é a qualidade desta conduta, quando julga-se do ponto de vista do Bem e do Mal.
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo da ética.
Moderna e erroneamente, a maioria das profissões têm o seu próprio código de ética profissional, que é um conjunto de normas de cumprimento obrigatório, derivadas da ética, e que por ser um código escrito e freqüentemente incorporados à lei pública não deveria se chamar de "código de ética" e sim "Legislação da Profissão". Nesses casos, os princípios éticos passam a ter força de lei; note-se que, mesmo nos casos em que esses códigos não estão incorporados à lei, seu estudo tem alta probabilidade de exercer influência, por exemplo, em julgamentos nos quais se discutam fatos relativos à conduta profissional. Ademais, o seu não cumprimento pode resultar em sanções executadas pela sociedade profissional, como censura pública e suspensão temporária ou definitiva do direito de exercer a profissão, situações essas algumas vezes revertidas pela justiça comum, principalmente quando os "códigos de ética" de certas profissões apresentam viés que contraria a lei ordinária.
Na filosofia clássica, a ética não se resume ao estudo da moral (entendida como "costume", do latim mos, mores), mas a todo o campo do conhecimento que não é abrangido na física, metafísica, estética, na lógica e nem na retórica. Assim, a ética abrangia os campos que atualmente são denominados antropologia, psicologia, sociologia, economia, pedagogia, educação física, dietética e até mesmo política, em suma, campos direta ou indiretamente ligados a maneiras de viver.
Porém, com a crescente profissionalização e especialização do conhecimento que se seguiu à revolução industrial, a maioria dos campos que eram objeto de estudo da filosofia, particularmente da ética, foram estabelecidos como disciplinas científicas independentes. Assim, é comum que atualmente a ética seja definida como "a área da filosofia que se ocupa do estudo das normas morais nas sociedades humanas" [3] e busca explicar e justificar os costumes de um determinado agrupamento humano, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Neste sentido, ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a moral é a qualidade desta conduta, quando julga-se do ponto de vista do Bem e do Mal.
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo da ética.
Moderna e erroneamente, a maioria das profissões têm o seu próprio código de ética profissional, que é um conjunto de normas de cumprimento obrigatório, derivadas da ética, e que por ser um código escrito e freqüentemente incorporados à lei pública não deveria se chamar de "código de ética" e sim "Legislação da Profissão". Nesses casos, os princípios éticos passam a ter força de lei; note-se que, mesmo nos casos em que esses códigos não estão incorporados à lei, seu estudo tem alta probabilidade de exercer influência, por exemplo, em julgamentos nos quais se discutam fatos relativos à conduta profissional. Ademais, o seu não cumprimento pode resultar em sanções executadas pela sociedade profissional, como censura pública e suspensão temporária ou definitiva do direito de exercer a profissão, situações essas algumas vezes revertidas pela justiça comum, principalmente quando os "códigos de ética" de certas profissões apresentam viés que contraria a lei ordinária.
texto sobre moral
MORAL
Moral deriva do latim mores, que significa "relativo aos costumes". Seria importante referir, ainda, quanto à etimologia da palavra "moral", que esta se originou a partir do intento dos romanos traduzirem a palavra grega êthica.
"Moral" não traduz, no entanto, por completo, a palavra grega originária. É que êthica possuía, para o gregos, dois sentidos complementares: o primeiro derivava de êthos e significava, numa palavra, a interioridade do ato humano, ou seja, aquilo que gera uma ação genuinamente humana e que brota a partir de dentro do sujeito moral, ou seja, êthos remete-nos para o âmago do agir, para a intenção. Por outro lado, êthica significava também éthos, remetendo-nos para a questão dos hábitos, costumes, usos e regras, o que se materializa na assimilação social dos valores.
A tradução latina do termo êthica para mores "esqueceu" o sentido de êthos (a dimensão pessoal do acto humano), privilegiando o sentido comunitário da atitude valorativa. Dessa tradução incompleta resulta a confusão que muitos, hoje, fazem entre os termos ética e moral.
A ética pode encontrar-se com a moral pois a suporta, na medida em que não existem costumes ou hábitos sociais completamente separados de uma ética individual (a sociedade é um produto de individualidades). Da ética individual se passa a um valor social, e deste, quando devidamente enraizado numa sociedade, se passa à lei. Assim, pode-se afirmar, seguindo este raciocínio, que não existe lei sem uma ética que lhe sirva de alicerce.
Alguns dicionários definem moral como "conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, éticas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupos ou pessoa determinada" (Aurélio Buarque de Hollanda), ou seja, regras estabelecidas e aceitas pelas comunidades humanas durante determinados períodos de tempo.
Moral é um conjunto de regras no convívio. O seu campo de aplicação é maior do que o campo do Direito. Nem todas as regras Morais são regras jurídicas. O campo da moral é mais amplo. A semelhança que o Direito tem com a Moral é que ambas são formas de controle social.
Existem algumas teorias que podem explicar melhor o campo de aplicação entre o Direito e Moral, quais sejam:
Teoria dos círculos secantes de Claude du Pasquier, segundo a qual Direito e Moral coexistem, não se separam, pois há um campo de competência comum onde há regras com qualidade jurídica e que têm caráter moral. Toda norma júridica tem conteúdo moral, mas nem todo conteúdo moral tem conteúdo jurídico;
Teoria dos círculos concêntricos (Jeremy Bentham), segundo a qual a ordem jurídica estaria incluída totalmente no campo da Moral. Os dois círculos (Moral e Direito) seriam concêntricos, com o maior pertencendo à Moral. Assim, o campo moral é mais amplo do que o do Direito e este se subordina à Moral.
Teoria do mínimo ético, desenvolvida por Georg Jellinek, segundo a qual o Direito representa apenas o mínimo de Moral obrigatório para que a sociedade possa sobreviver.
Moral significa, portanto, valor relativo ou absoluto da conduta humana dentro de um espaço de tempo. Também pode ser considerado como tudo aquilo que promove o homem de uma forma integral e integrada. Integral significa a plena realização do homem, e integrada, o condicionamento a idêntico interesse do próximo. Dentro desta concepção constitui-se como um bem o que não comprometa o desenvolvimento integral do homem e nem afete igual interesse dos membros da sociedade.
"Os egípcios, os babilônios, os chineses e os próprios gregos não distinguem o direito da moral e da religião. Para eles o direito confunde-se com os costumes sociais. Moral, religião e direito são confundidos. Nos códigos antigos, encontramos não só preceitos jurídicos, como, também, prescrições morais e religiosas. O direito nesse tempo ainda não havia adquirido autonomia, talvez porque, como nota Roubier, 'nas sociedades antigas, a severidade dos costumes e a coação religiosa permitiram obter espontaneamente o que o direito só conseguiu mais tarde', com muita coerção." [carece de fontes?]
Conclui-se que a moral vem antes do Direito, ou da ciência do Direito.
“Os romanos, organizadores do direito, definindo-o sob a influência da filosofia grega, consideraram-no como ars boni et aequi. (arte do bom e equitativo). O grande jurisconsulto Paulo, talvez compreendendo a particularidade do direito, sustentou que non omne quod licet honestum est.[1] Nem tudo que é lícito é honesto. Nem tudo que é legal é moral. O permitido pelo direito nem sempre está de acordo com a moral.”
“A moral tem por objeto o comportamento humano regido por regras e valores morais, que se encontram gravados em nossas consciências, e em nenhum código, comportamento resultante de decisão da vontade que torna o homem, por ser livre, responsável por sua culpa quando agir contra as regras morais.”
Moral deriva do latim mores, que significa "relativo aos costumes". Seria importante referir, ainda, quanto à etimologia da palavra "moral", que esta se originou a partir do intento dos romanos traduzirem a palavra grega êthica.
"Moral" não traduz, no entanto, por completo, a palavra grega originária. É que êthica possuía, para o gregos, dois sentidos complementares: o primeiro derivava de êthos e significava, numa palavra, a interioridade do ato humano, ou seja, aquilo que gera uma ação genuinamente humana e que brota a partir de dentro do sujeito moral, ou seja, êthos remete-nos para o âmago do agir, para a intenção. Por outro lado, êthica significava também éthos, remetendo-nos para a questão dos hábitos, costumes, usos e regras, o que se materializa na assimilação social dos valores.
A tradução latina do termo êthica para mores "esqueceu" o sentido de êthos (a dimensão pessoal do acto humano), privilegiando o sentido comunitário da atitude valorativa. Dessa tradução incompleta resulta a confusão que muitos, hoje, fazem entre os termos ética e moral.
A ética pode encontrar-se com a moral pois a suporta, na medida em que não existem costumes ou hábitos sociais completamente separados de uma ética individual (a sociedade é um produto de individualidades). Da ética individual se passa a um valor social, e deste, quando devidamente enraizado numa sociedade, se passa à lei. Assim, pode-se afirmar, seguindo este raciocínio, que não existe lei sem uma ética que lhe sirva de alicerce.
Alguns dicionários definem moral como "conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, éticas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupos ou pessoa determinada" (Aurélio Buarque de Hollanda), ou seja, regras estabelecidas e aceitas pelas comunidades humanas durante determinados períodos de tempo.
Moral é um conjunto de regras no convívio. O seu campo de aplicação é maior do que o campo do Direito. Nem todas as regras Morais são regras jurídicas. O campo da moral é mais amplo. A semelhança que o Direito tem com a Moral é que ambas são formas de controle social.
Existem algumas teorias que podem explicar melhor o campo de aplicação entre o Direito e Moral, quais sejam:
Teoria dos círculos secantes de Claude du Pasquier, segundo a qual Direito e Moral coexistem, não se separam, pois há um campo de competência comum onde há regras com qualidade jurídica e que têm caráter moral. Toda norma júridica tem conteúdo moral, mas nem todo conteúdo moral tem conteúdo jurídico;
Teoria dos círculos concêntricos (Jeremy Bentham), segundo a qual a ordem jurídica estaria incluída totalmente no campo da Moral. Os dois círculos (Moral e Direito) seriam concêntricos, com o maior pertencendo à Moral. Assim, o campo moral é mais amplo do que o do Direito e este se subordina à Moral.
Teoria do mínimo ético, desenvolvida por Georg Jellinek, segundo a qual o Direito representa apenas o mínimo de Moral obrigatório para que a sociedade possa sobreviver.
Moral significa, portanto, valor relativo ou absoluto da conduta humana dentro de um espaço de tempo. Também pode ser considerado como tudo aquilo que promove o homem de uma forma integral e integrada. Integral significa a plena realização do homem, e integrada, o condicionamento a idêntico interesse do próximo. Dentro desta concepção constitui-se como um bem o que não comprometa o desenvolvimento integral do homem e nem afete igual interesse dos membros da sociedade.
"Os egípcios, os babilônios, os chineses e os próprios gregos não distinguem o direito da moral e da religião. Para eles o direito confunde-se com os costumes sociais. Moral, religião e direito são confundidos. Nos códigos antigos, encontramos não só preceitos jurídicos, como, também, prescrições morais e religiosas. O direito nesse tempo ainda não havia adquirido autonomia, talvez porque, como nota Roubier, 'nas sociedades antigas, a severidade dos costumes e a coação religiosa permitiram obter espontaneamente o que o direito só conseguiu mais tarde', com muita coerção." [carece de fontes?]
Conclui-se que a moral vem antes do Direito, ou da ciência do Direito.
“Os romanos, organizadores do direito, definindo-o sob a influência da filosofia grega, consideraram-no como ars boni et aequi. (arte do bom e equitativo). O grande jurisconsulto Paulo, talvez compreendendo a particularidade do direito, sustentou que non omne quod licet honestum est.[1] Nem tudo que é lícito é honesto. Nem tudo que é legal é moral. O permitido pelo direito nem sempre está de acordo com a moral.”
“A moral tem por objeto o comportamento humano regido por regras e valores morais, que se encontram gravados em nossas consciências, e em nenhum código, comportamento resultante de decisão da vontade que torna o homem, por ser livre, responsável por sua culpa quando agir contra as regras morais.”
domingo, 19 de junho de 2011
ESTUDO DIRIGIDO 2º BIM 2º ANO( MAQUIAVEL)
CENTRO EDUCACIONAL 06 – GAMA/DF
DISCIPLINA : FILOSOFIA
2º SÉRIE ENSINO MÉDIO
PROF: DENYS F. DA COSTA
ESTUDO DIRIGIDO SOBRE O PENSAMENTO POLÍTICO DE MAQUIAVEL
NOME:___________________________________________________________Nº________
1º PARTE: OBJETIVA (1,5)
1) Julgue os itens abaixo assinalando como (c) certo ou (e) errado.
(A) Maquiavel concordava integralmente com a moral humanista da época.
(B) As políticas executadas por Maquiavel durante o período denominado vazio político, foi determinado na elaboração do seu pensamento político.
(C) Depois da queda de Loreno de Médici, “ O Magnífico” em 1512,os Médici nunca mais voltaram ao poder da Itália.
(D) Fatos históricos para fatos históricos para fazer suas observações.
(E) Para Maquiavel, agir com “virtu” seria um sinal de fraqueza do governante.
(F) Maquiavel cita Parmênides quando o mesmo observa que para quem a luta dos inumeráveis seria a pura justiça.
(G) A política não se faz com jogos de interesses.
(H) Contraditoriamente observamos um Maquiavel com perfil republicano em sua obra : A Primeira Década de Tito Lívio.
(I) É uma ideia cristã , que o poder é político.
(J) No contexto histórico em que se situa a obra de Maquiavel, o fundamento da política encontra-se em Deus.
(K) A boa política só pode ser feita pela Nobreza.
(L) O termo Maquiavélico é sinônimo de esperteza politica.
(M) Para Maquiavel é necessário que se tenha uma boa comunidade política.
(N) As três formas classes de regimes políticos são: Monarquia, Aristocracia e Democracia.
(O) Podemos afirmar que Maquiavel é um homem prático e colocou essa praticidade no pensamento político.
2º parte : SUBJETIVA (1,5)
1) Maquiavel antes de tudo era um grande observador de seu tempo. Essa observação lhe serviu de base para elaboração de sua obra . Assim retire do texto o trecho que fundamenta a afirmação acima.
2) Qual o significado do termo “ virtu” para Maquiavel?
3) O texto observa que Maquiavel ressalta os aspectos agonistico da realidade . cite quais são esses aspectos.
4) Como se caracteriza o poder político antes das idéias de Maquiavel.
5) Qual a análise preliminar que Rousseau fez sobre o príncipe?
6) As teorias políticas medievais podem ser consideradas indiretamente teocráticas. SExplique o porque.
7) Quais as duas vertentes teocráticas da políticas? Cite-os e faça um comentário sobre elas.
8) O texto faz uma classificação sobre os regimes políticos justos-legítimos e injustos-legítimos .Nesse sentido caracterize os injustos-ilegítimos.
9) Qual o grande mérito do pensamento de Maquiavel que mudou os parâmetros da ciência política?
10) Por que Maquiavel fala que jamais a sociedade pode ser uma e indivisa?
11) Quando que o poder é ilegítimo?
12) Dentro do contexto do texto, qual é o limite do poder? Responda com argumentos coerentes?
13) Por que se um príncipe agir sempre da mesma maneira, ele penderá para o fracasso?
14) A teoria política de Maquiavel pode ser considerada pragmática? Responda com argumentos.
15) Na filosofia política de Aristóteles era dados valores aos governantes, cite quais são esses valores.
16) Qual a grande crítica sobre a obra de Maquiavel?
17) Faça um resumo do contexto sócio político do período que Maquiavel elaborou sua obra.
Bom Estudo
Entrega impreterivelmente em 01/07/11
DISCIPLINA : FILOSOFIA
2º SÉRIE ENSINO MÉDIO
PROF: DENYS F. DA COSTA
ESTUDO DIRIGIDO SOBRE O PENSAMENTO POLÍTICO DE MAQUIAVEL
NOME:___________________________________________________________Nº________
1º PARTE: OBJETIVA (1,5)
1) Julgue os itens abaixo assinalando como (c) certo ou (e) errado.
(A) Maquiavel concordava integralmente com a moral humanista da época.
(B) As políticas executadas por Maquiavel durante o período denominado vazio político, foi determinado na elaboração do seu pensamento político.
(C) Depois da queda de Loreno de Médici, “ O Magnífico” em 1512,os Médici nunca mais voltaram ao poder da Itália.
(D) Fatos históricos para fatos históricos para fazer suas observações.
(E) Para Maquiavel, agir com “virtu” seria um sinal de fraqueza do governante.
(F) Maquiavel cita Parmênides quando o mesmo observa que para quem a luta dos inumeráveis seria a pura justiça.
(G) A política não se faz com jogos de interesses.
(H) Contraditoriamente observamos um Maquiavel com perfil republicano em sua obra : A Primeira Década de Tito Lívio.
(I) É uma ideia cristã , que o poder é político.
(J) No contexto histórico em que se situa a obra de Maquiavel, o fundamento da política encontra-se em Deus.
(K) A boa política só pode ser feita pela Nobreza.
(L) O termo Maquiavélico é sinônimo de esperteza politica.
(M) Para Maquiavel é necessário que se tenha uma boa comunidade política.
(N) As três formas classes de regimes políticos são: Monarquia, Aristocracia e Democracia.
(O) Podemos afirmar que Maquiavel é um homem prático e colocou essa praticidade no pensamento político.
2º parte : SUBJETIVA (1,5)
1) Maquiavel antes de tudo era um grande observador de seu tempo. Essa observação lhe serviu de base para elaboração de sua obra . Assim retire do texto o trecho que fundamenta a afirmação acima.
2) Qual o significado do termo “ virtu” para Maquiavel?
3) O texto observa que Maquiavel ressalta os aspectos agonistico da realidade . cite quais são esses aspectos.
4) Como se caracteriza o poder político antes das idéias de Maquiavel.
5) Qual a análise preliminar que Rousseau fez sobre o príncipe?
6) As teorias políticas medievais podem ser consideradas indiretamente teocráticas. SExplique o porque.
7) Quais as duas vertentes teocráticas da políticas? Cite-os e faça um comentário sobre elas.
8) O texto faz uma classificação sobre os regimes políticos justos-legítimos e injustos-legítimos .Nesse sentido caracterize os injustos-ilegítimos.
9) Qual o grande mérito do pensamento de Maquiavel que mudou os parâmetros da ciência política?
10) Por que Maquiavel fala que jamais a sociedade pode ser uma e indivisa?
11) Quando que o poder é ilegítimo?
12) Dentro do contexto do texto, qual é o limite do poder? Responda com argumentos coerentes?
13) Por que se um príncipe agir sempre da mesma maneira, ele penderá para o fracasso?
14) A teoria política de Maquiavel pode ser considerada pragmática? Responda com argumentos.
15) Na filosofia política de Aristóteles era dados valores aos governantes, cite quais são esses valores.
16) Qual a grande crítica sobre a obra de Maquiavel?
17) Faça um resumo do contexto sócio político do período que Maquiavel elaborou sua obra.
Bom Estudo
Entrega impreterivelmente em 01/07/11
domingo, 13 de março de 2011
ESTUDO DIRIGIDO ( EMPIRISMO)
CENTRO EDUCACIONAL 06-GAMA/DF
PROF: DENYS F. DA COSTA
DISCIPLINA : FILOSOFIA
2º SÉRIE
NOME:_______________________________________________________Nº____TURMA____
ESTUDO DIRIGIDO ( EMPIRISMO)
PARTE 01: OBJETIVA (1,5)
• Julgue os itens abaixo (C) certo ou (E) errado, a partir da leitura do texto.
(A) .No século XVIII, abriu-se um novo horizonte para a filosofia.
(B) Foi através das ideias de Platão, que o Empirismo ganha força enquanto teoria.
(C) Para Locke o homem nasce cheio de ideias.
(D) De acordo com Locke, o entendimento é constituído de impressões, ideias, sensações e reflexões, reagindo com a experiência.
(E) Para Locke, as pessoas que não fossem nobres, não teriam direitos naturais.
(F) A relação entre trabalho e direito à propriedade favoreceu o surgimento do Socialismo.
(G) Tudo que existe são ideias, essa afirmação provem de Berkeley.
(H) As impressões sensoriais de acordo com Locke se reúnem em nossas mentes por associação de ideias.
(I) O associasimo baseia-se em uma visão pragmática.
(J) Para Hume, existem conexões logicas que se pode estabelecer entre as ideias.
(K) Para Hume, todas as ações e juízos se baseiam em ações racionais.
(L) A lei de Hume é conhecida como falácia naturalista.
(M) Hume para explicar sua visão científica da natureza, faz uma comparação com a lei de Newton.
(N) Todo entendimento baseia-se na razão segundo descartes.
(O) Só existem ideias percebidas.
PARTE 02: SUBJETIVA (1,5)
1) Explique em poucas linhas o que seria Empirismo.
2) Qual a crítica que Locke faz ao Inatismo , quando compara o Empirismo?
3) Como o Empirismo explica a teoria do direito divino dos reis?
4) Visto que o absolutismo Inglês estava em crise com sucessivas crises e deposições, Locke fez uma nova proposta de construção de governo. Assim diga qual é e explique-as.
5) Como funciona o conceito de pacto social segundo Locke.
6) Qual é o “erro” na teoria de Locke?
7) “ Só existe algo se for percebido por alguém”. Explique essa afirmação a partir das ideias de Berkelei.
8) Por que Berkelei é considerado um idealista como Platão?
9) Como Hume Examinou o conhecimento humano?
10) Explique o que seria a forquilha de Hume.
11) Como Hume argumentou sobre a questão do associalismo?
12) “ Os Julgamento em outras palavras não são verdadeiros no sentido em que fatos podem ser verdadeiros”. Comente essa questão de acordo com o texto.
13) Comente sobre a “ lei de Hume”.
14) Qual é o problema do Empirismo apontado no texto.
15) Porque a ciência não oferece uma objetividade ao Empirismo?
PROF: DENYS F. DA COSTA
DISCIPLINA : FILOSOFIA
2º SÉRIE
NOME:_______________________________________________________Nº____TURMA____
ESTUDO DIRIGIDO ( EMPIRISMO)
PARTE 01: OBJETIVA (1,5)
• Julgue os itens abaixo (C) certo ou (E) errado, a partir da leitura do texto.
(A) .No século XVIII, abriu-se um novo horizonte para a filosofia.
(B) Foi através das ideias de Platão, que o Empirismo ganha força enquanto teoria.
(C) Para Locke o homem nasce cheio de ideias.
(D) De acordo com Locke, o entendimento é constituído de impressões, ideias, sensações e reflexões, reagindo com a experiência.
(E) Para Locke, as pessoas que não fossem nobres, não teriam direitos naturais.
(F) A relação entre trabalho e direito à propriedade favoreceu o surgimento do Socialismo.
(G) Tudo que existe são ideias, essa afirmação provem de Berkeley.
(H) As impressões sensoriais de acordo com Locke se reúnem em nossas mentes por associação de ideias.
(I) O associasimo baseia-se em uma visão pragmática.
(J) Para Hume, existem conexões logicas que se pode estabelecer entre as ideias.
(K) Para Hume, todas as ações e juízos se baseiam em ações racionais.
(L) A lei de Hume é conhecida como falácia naturalista.
(M) Hume para explicar sua visão científica da natureza, faz uma comparação com a lei de Newton.
(N) Todo entendimento baseia-se na razão segundo descartes.
(O) Só existem ideias percebidas.
PARTE 02: SUBJETIVA (1,5)
1) Explique em poucas linhas o que seria Empirismo.
2) Qual a crítica que Locke faz ao Inatismo , quando compara o Empirismo?
3) Como o Empirismo explica a teoria do direito divino dos reis?
4) Visto que o absolutismo Inglês estava em crise com sucessivas crises e deposições, Locke fez uma nova proposta de construção de governo. Assim diga qual é e explique-as.
5) Como funciona o conceito de pacto social segundo Locke.
6) Qual é o “erro” na teoria de Locke?
7) “ Só existe algo se for percebido por alguém”. Explique essa afirmação a partir das ideias de Berkelei.
8) Por que Berkelei é considerado um idealista como Platão?
9) Como Hume Examinou o conhecimento humano?
10) Explique o que seria a forquilha de Hume.
11) Como Hume argumentou sobre a questão do associalismo?
12) “ Os Julgamento em outras palavras não são verdadeiros no sentido em que fatos podem ser verdadeiros”. Comente essa questão de acordo com o texto.
13) Comente sobre a “ lei de Hume”.
14) Qual é o problema do Empirismo apontado no texto.
15) Porque a ciência não oferece uma objetividade ao Empirismo?
ENTREGA: ATÉ 01/04/2011(IMPRORROGÁVEL)
TEXTO BASE PARA O ESTUDO DIRIGIDO (EMPIRISMO\0
EMPIRISMO
No final do século XVII, a ciência tinha feito grandes progressos em física, biologia, astronomia e outras áreas. Impressionados com essas realizações, os filósofos começaram a pensar que talvez a ciência pudesse lançar uma nova luz sobre a filosofia moral — talvez as técnicas científicas pudessem explicar como pensamos, como compreendemos e como deveríamos viver em sociedade.
Essa abordagem científica abriu novos campos para a filosofia por proporcionar uma fonte potencial de conhecimentos sobre o ser humano. Ela deu esperanças aos filósofos de descobrir melhores formas de pensar sobre religião, direitos humanos e natureza humanas.
O sol nunca se põe no empirismo britânico
Muitos importantes filósofos empíricos dos séculos XVII e XVIII foram britânicos. Isso se deve em parte às dificuldades religiosas e políticas que a Inglaterra atravessava. Religião e governo muitas vezes ficavam fora de controle, mas pelo menos a realidade empírica estava quase sempre bem organizada!
*Sir Francis Bacon (1561-1626) propôs um programa para revisar o conhecimento
Antigo e adquirir novos conhecimentos com base na observação.
*Thomas Hobbes (1588-1679) fez derivar de princípios mecânicos sua filosofia da
Mente e do governo. Rejeitou a noção de ‘espírito imaterial’.
*Sir Robert Boyle (1627-1692) estudou física e química e inventou o barômetro.
*John Locke (1632-1704) descreveu o entendimento humano de maneira empírica, sustentou que não havia idéias inatas. Baseou suas concepções políticas na idéia dos ‘direitos naturais’.
O entendimento segundo Locke
O empirismo na Europa vinha ganhando fôlego havia várias décadas antes de o filósofo britânico John Locke o popularizar ao usá-lo para explicar como as pessoas conhecem
De acordo com Locke, o empirismo não é apenas uma forma de pensar para filósofos e cientistas, mas os fundamentos de como todos aprenderam o que sabem.
O empirismo é a idéia de que o conhecimento obtido por observação e experiência é mais confiável do que o conhecimento obtido somente pela especulação. Locke levou esta idéia mais longe afirmando que todo conhecimento advém de observação e experiência. Segundo ele, não há idéias inatas.
Uma idéia inata é aquela com que você nasce, Locke sustentou que não nascemos com nenhuma. Obtemos todas elas pela experiência: não apenas idéias de objetos realmente observados — como hidrantes e caldos de galinha — mas conceitos abstratos também, como número, forma e tamanho.
Locke fornece uma explicação detalhada de como obtemos todas as nossas diferentes e complexas idéias pela experiência no famoso Ensaio acerca do entendimento humano. Nessa obra, ele afirma que os sentidos e a mente funcionam em conjunto para transformar experiência em entendimento.
Segundo ele, nosso entendimento constitui-se de impressões, idéias, sensações e reflexões, e todas reagem à experiência e interagem entre si para produzir tudo que pensamos. Mesmo idéias imaginárias, como dragões, fantasmas e acertar na loteria, formam-se a partir de experiências reais.
“Sabedoria em ação: Use a idéia de Locke de que •. O entendimento se baseia na experiência para explicar por — que você vê as coisas de modo diferente dos outros. Por exemplo, se você cresceu sendo criticado por discutir, verá as coisas de forma diferente de alguém que foi encorajado a discutir. “
Sua mente estava vazia
Quando você nasce, observa Locke, sua mente é como uma lousa vazia (ou tabula rasa, em latim). Conforme você vê coisas, ouve sons e toca em objetos, aprende sobre eles. A experiência e a observação são como o giz que escreve conhecimentos na lousa vazia.
Esse ponto de vista reformulou a idéia aristotélica de que os objetos que percebemos estão na verdade dentro de nossas mentes quando os percebemos. Em vez disso, segundo Locke, sabemos das coisas somente porque nossas percepções produzem a partir delas sensações das quais formamos idéias. Essas idéias podem ser bem diferentes das próprias coisas.
O conhecimento é acidental?
O conceito de Locke de ‘entendimento’ como totalmente baseado na experiência foi contestado em sua época. Seu principal oponente, Gottfried Leibniz, reclamou que Locke não deu à lógica e à razão papéis suficientemente grandes no entendimento. Leibniz afirmou que a mente tem uma idéia da substância, do eu e de Deus sem jamais tê-los experimentado. Para Leibniz, a visão de Locke do entendimento deixou margens demais para o acaso. Não temos conhecimentos apenas por acaso, mas de acordo com um projeto natural, um plano divino.
Apesar das objeções, o pensamento de Locke foi popular e influente. As pessoas o estimavam pelo que afirmou sobre o conhecimento: o que sabemos está limitado à nossa experiência. Colocar esses limites no conhecimento significava que muito do que as pessoas achavam que sabiam teria de ser abandonado. De fato, Locke dedicou bastante tempo e energia criticando antigas concepções políticas.
“Retirar Deus do governo”
Locke não chegou ao ponto de negar a existência de Deus. Ainda que não possamos ter uma experiência de Deus, Locke afirmou que podemos demonstrar sua existência mais ou menos como um teorema geométrico. Locke atacou outra idéia ‘sagrada’ que muitos defendiam na época: o “direito divino dos reis”
Falência do direito divino dos reis
O direito divino dos reis justificara a monarquia por séculos. Ele foi defendido na época de Locke por um filósofo político hoje desconhecido, Robert Filmer. Filmer afirmou que todos os reis verdadeiros descendem diretamente de Adão, o primeiro homem criado por Deus.
De acordo com Filmer, Deus, ao conceder a Adão e seus descendentes o domínio sobre a Terra (como narra o Gênesis), também concedeu implicitamente o direito aos reis de governar as outras pessoas. Os reis adoraram Filmer e sua idéia, porque ela ajudava a assegurar a lealdade dos súditos. Mas na época de Locke a idéia do direito divino começava a ficar ultrapassada.
Locke viu algumas mudanças drásticas na forma de governo da Inglaterra. Testemunhou duas revoluções. A primeira envolveu uma guerra civil e resultou na decapitação de Carlos I.
A segunda, conhecida como a ‘revolução sem derramamento de sangue’, resultou na substituição do rei Jaime II pelo rei Jorge 1, da Alemanha.
Com todos esses reis se sucedendo como programas de TV ruins, a Inglaterra precisava repensar seu governo. Era claro que o governo por direito divino não estava funcionando.
Em vez do direito divino dos reis, Locke propôs um governo baseado na razão e nos direitos naturais.
Volta à natureza
Locke sustentou que as pessoas têm direitos naturais mesmo antes de se reunirem para formar uma sociedade. Esses direitos não dependem de nenhuma forma de governo ou de quaisquer acordos entre as pessoas. A idéia de uma sociedade humana natural que existe sem quaisquer leis ou acordos baseia-se no conceito de Thomas Hobbes do ‘estado da natureza’. Mas a natureza para Locke é um lugar bem mais ameno do que para Hobbes. Para este, o único direito ‘natural’ das pessoas é agredir umas às outras.
Para Locke, elas têm o direito natural de fazer escolhas livres, viver sem serem agredidas pelos outros e possuir propriedades, O que concede às pessoas o direito à propriedade, afirma Locke, é o trabalho que realizaram para obtê-la ou desenvolvê-la.
Alguém que ara e semeia o campo e colhe a safra, por exemplo, tem o direito de possuí-la, pois trabalhou para colhê-la. Locke afirma que esse direito é natural e não depende de uma forma específica de governo.
A associação entre trabalho e direito à propriedade ajudou a promover o ‘capitalismo’, a prática econômica de produzir bens e vendê-los para obter lucro. O capitalismo gradualmente substituiu o feudalismo na Europa. O ‘feudalismo’ é a estrutura econômica em que a terra pertence à nobreza e é cultivada pelos servos, esses servem à nobreza em troca de proteção. Locke diria que o feudalismo violava o direito natural das pessoas à propriedade.
Pacto social
Como todos têm direitos naturais, o governo deveria resultar do comum acordo entre todos os envolvidos. Ele denominou esse comum acordo “pacto (ou contrato) social”. As pessoas concordam em se reunir e serem governadas para ter seus direito protegidos.
Segundo Locke, esse acordo não precisava ser oficial, poderia ser implícito. Se você vive sem reclamar sob determinado governo, concorda implicitamente em viver segundo as regras dele. Ele lhe desagrada, disse Locke, você pode se mudar para outro lugar.
Trata-se de um grande avanço em relação ao conceito de direito divino dos reis. Muita gente aderiu, como o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau e os norte-americanos Thomas Jefferson Thomas Paine.
Assim como as idéias políticas de Locke e’ grande influência sobre filósofos políticos, suas idéias sobre o entendimento influenciaram filósofo empiristas. Dois filósofos em particular, o bispo, George Berkeley (1685-1753) e David Hume (l711- 1777), basearam-se nas idéias de Locke, fazendo considerações bem diferentes a partir delas.
Uma idéia melhor
Embora o empirismo de Locke fizesse sentido para muita gente, descobriu-se que tinha problemas. Um deles estava ligado à idéia de substância. Locke afirmou que a substância e embora tudo que possamos saber a respeito sejam idéias obtidas pelas nossas impressões; &. Disso, essas impressões não nos informam se o que sentimos é realmente substância.
A substância pode fazer nossos sentidos enviarem mensagens ao cérebro, mas ela não é o mesmo que essas mensagens. Como, então, Locke pode ter certeza de que a substância existe?
Berkeley e Hume apresentaram respostas diferentes a essa pergunta. Segundo Hume temos de admitir que não estamos certos de um monte de coisas — inclusive a substância, a causalidade e o próprio eu.
A resposta de Berkeley foi ainda mais estranha: a substância material não existe. Tudo que existe são idéias e as almas que as percebem. O único lugar onde algo existe, diz Berkeley, é a mente, ou alma. Para algo existir, alguém tem de percebê-lo. O que ninguém percebe não existe.
SE UMA ÁRVORE CAI NA FLORESTA..
Tome este livro, por exemplo, ou uma cadeira, ou suas unhas. Berkeley diria que essas coisas não têm existência material, não passam de idéias. Algumas são percebidas, outras lembradas e ainda outras inventadas com base em outras idéias alguma vez percebidas. O entendimento, segundo Berkeley, funciona como Locke descreveu, a não ser pelo fato de que não há substância material por trás dele.
Foi depois de ler Berkeley que alguém perguntou ao famoso filósofo: “Se uma árvore cair na floresta e ninguém estiver por perto para ouvir, ela fará algum som?”. Berkeley respondeu que todas as coisas existem na mente de Deus. Deus percebe tudo que existe.
Assim, as coisas podem continuar existindo indefinidamente e como realmente são, embora não passem de idéias. A árvore que cai, portanto, emite um som porque Deus está lá para ouvi-lo.
Temos algumas das mesmas idéias de Deus. Por outro lado, quando temos idéias erradas, o mundo não deixa de funcionar, porque Deus está aí o tempo todo com as idéias certas.
Por sustentar que as idéias existem na mente de Deus, independentemente das mentes humanas, Berkeley é, como Platão, um ‘idealista’. Segundo Platão, as idéias são a causa das coisas reais, sendo perfeitas e imutáveis. Berkeley, ao contrário de Platão, não distinguiu entre idéias e realidade material. Para Berkeley, a realidade material não é de modo algum real.
Embora para Berkeley existam apenas idéias, ele foi, de certo modo, um empirista também. As idéias, disse ele, são quase tudo que podemos experimentar. Nossa experiência e nossa observação só podem nos informar que temos idéias. Seria, portanto, um erro supor que exista algo além das idéias e das pessoas que as percebem.
Exceções: Deus e almas
Segundo Berkeley, só há duas coisas além das idéias: Deus e almas. Embora não possamos percebê-las diretamente, podemos descobrir que elas existem com base no modo como nossas idéias se mantêm unidas.
Berkeley viu Deus e as almas como a realidade por trás das impressões sensoriais, assim como Locke viu a substância material. Nossas impressões resultam em algo que é mais do que elas, assim, embora sejam tudo de que dispõe nosso pensamento, podemos ter certeza da existência de um mundo real. Locke e Berkeley simplesmente discordaram sobre de que consiste o mundo real — substância material ou Deus e almas.
Natureza ‘humana’
Locke e Berkeley focalizaram as impressões sensoriais como base do entendimento e tentaram descobrir o que podemos afirmar ao certo a partir delas. Outro filósofo que fez isso foi David Hume. Hume queria desenvolver uma ciência da mente e da natureza humana tão coerente e confiável como a física praticada por Isaac Newton e alguns de seus contemporâneos.
Em seus esforços para formular uma visão científica da mente, Hume topou com alguns obstáculos — criados por nossa incapacidade de pensar cientificamente sobre o mundo. Hume chega perto de usar a ciência contra si própria — para mostrar as limitações da ciência.
Hume tentou examinar o entendimento humano como os físicos vinham examinando a matéria, o movimento, a gravidade e outras forças natura Baseado em analogias observadas entre os processo físicos e mentais, ele propôs uma nova visão de como as impressões sensoriais se reúnem para formar idéias. Assim como os astros no espaço atraem-se mutuamente pela força da gravidade, nossas impressões também são atraídas umas pelas outras. A visão de Hume do funcionamento da mente é conhecida como ‘associacionismo’.
Associacionismo
As impressões sensoriais, afirma Hume, reúnem-se em nossas mentes se forem semelhantes umas às outras ou se as experimentarmos conjuntamente. Em outras palavras, elas se reúnem em nossas mentes por associação.
Por exemplo, podemos associar cães e pulgas porque costumamos experimentá-los junto. Essa associação contribui para nossas idéias sobre cães e pulgas. Nossa idéia completa sobre cães é formada por todas as associações que nossas mentes fizeram ao perceber cães, como os atos de babar, morder, correr atrás de gatos e cheirar de um jeito engraçado.
O associacionismo de Hume baseia-se em uma visão empírica do entendimento, assim como as idéias de Locke e Berkeley. Mas, para Hume, o associacionismo nos afasta do conhecimento empírico. Aquilo que conhecemos é formado com base em semelhanças e coincidências — relações não tão confiáveis quanto as leis científicas formuladas por Newton.
Forquilha de Hume
Parte do problema, disse Hume, deve-se à diferença entre fatos e razão. Essa ruptura é conhecida como ‘forquilha de Hume’. Fatos são apenas fatos. Você não pode usá-los para dizer algo seguro sobre outros fatos. Além disso, eles não são logicamente necessários. Não temos como saber se o que existe tem de existir ou se algo diferente poderia ter existido com a mesma facilidade.
Por outro lado, existem conexões lógicas que podemos estabelecer entre idéias. Mesmo assim, essas conexões informam apenas sobre as relações, não sobre os fatos. Isso significa que fatos e relações lógicas estão separados como as pontas de uma forquilha. Podemos associá-los em nossas mentes, mas são coisas diferentes. Fatos acidentais e relações lógicas não podem se unir para informar ao certo o que é a realidade. Tudo que podemos fazer, disse Hume, é levantar hipóteses.
Hume reclamou dos filósofos que equivocadamente fazem suposições sobre a razão baseada em fatos, e sobre fatos baseados na razão, para obterem idéias metafísicas a respeito da realidade. Deus, o eu e a causalidade são algumas dessas idéias equivocadas. Não podemos prová-las, nem relacionando-as a outras idéias nem por experimento.
Hume afirmou que tendemos a acreditar que as coisas têm causas, mas não é possível saber quais coisas em particular causam outras. Porque formamos crenças sobre causas baseados em associações que fizemos. Essas associações não nos informam como as coisas realmente acontecem.
Pelo contrário, elas refletem a maneira como nossos instintos naturais, hábitos e convenções sociais formaram nossas crenças sobre o mundo.
Em outras palavras, grande parte de nossa forma de pensar não depende da razão ou da experiência, mas da natureza humana. Hume apoiou-se nessa idéia da natureza humana para defender nossas crenças. Elas podem não ser exatamente verdadeira, mas precisamos delas para pensar, de modo que não devemos rejeitá-las.
VIRTUDE INTERIOR
Hume aplicou sua visão científica da natureza humana não apenas às crenças sobre fatos, mas também aos juízos morais. Ele comparou as idéias de virtude e vício às experiências de Newton sobre as cores.
Newton afirmou que a luz na verdade não possui cor. A luz produz uma sensação de cor em nossas mentes quando a vemos. De forma semelhante, as ações das pessoas em si não são boas nem más, mas produzem juízos de valor dentro de nós. Matar alguém, por exemplo, não tem um significado independente dos sentimentos das pessoas que tomaram conhecimento do assassinato. E apenas um fato. Esse fato, porém, faz as pessoas julgarem o assassinato algo ruim. Essa tendência a julgar faz parte da natureza humana. Está dentro de nós e não no evento ao qual reagimos. Nas palavras de Hume, “a beleza das coisas existe nas mentes que as contemplam”.
Emitir juízos sobre como as coisas deveriam ser com base em como elas são não é uma forma de pensar puramente lógica. Fatos e julgamentos de fatos não têm nenhuma relação lógica necessária. Os julgamentos, em outras palavras, não são ‘verdadeiros’ no sentido em que fatos podem ser verdadeiros.
Mas as pessoas gostam de acreditar que suas ações e juízos se baseiam em razões lógicas. Quando pensamos assim, diz Hume, estamos apenas nos enganando. Nossas ações e, em grande parte, nossas crenças são determinadas mais pelo desejo do que pela razão.
Falácia naturalista
A equivocada idéia de que podemos dizer o que deveria ser verdadeiro baseados no que é de fato verdadeiro denomina se falácia naturalista e foi descrita pela primeira vez por Hume. A falácia naturalista também é conhecida como ‘lei de Hume’, que afirma “de um deveria não se depreende nenhum é”.
A falácia naturalista é significativa porque priva a filosofia ética e moral de um fundamento sólido. A ciência e a lógica podem nos informar muito sobre a natureza do mundo. Segundo Hume, porém, essa informação não nos dá nenhuma idéia sobre como deveríamos agir.
Hume afirmou que o melhor que podemos fazer é seguir nossos instintos e convenções. Eles tendem a funcionar, é absurdo insistir que não funcionam só porque não conseguimos provar que são cientificamente confiáveis.
Mesmo assim, nem todos ficaram satisfeitos com a solução de Hume para os problemas da incerteza e da moralidade. Os filósofos continuaram tentando desenvolver uma base filosófica para o que conhecemos e o modo como deveríamos agir.
O mínimo que você precisa saber
*Locke usou o empirismo para explicar como funciona o entendimento humano.
*Todo entendimento baseia-se na experiência, segundo Locke não há idéias inatas.
*Locke propôs uma nova visão do governo baseada no direito natural à propriedade e no contrato social.
*Berkeley acreditava que só existem idéias, percebidas pelas almas humanas e Deus.
*Hume afirmou que a experiência, embora seja nossa única fonte de conhecimento, não pode nos informar muita coisa sobre a realidade. Assim, a maioria das crenças baseia-se no hábito, na convenção e na natureza humana.
Problemas do empirismo
O empirismo, por sua vez, se defronta com um problema insolúvel.
Se as ciências são apenas hábitos psicológicos de associar percepções e idéias por semelhança e diferença, bem como por contigüidade espacial ou sucessão temporal, então as ciências não possuem verdade alguma, não explicam realidade alguma, não alcançam os objetos e não possuem nenhuma objetividade.
Ora, o ideal racional da objetividade afirma que uma verdade é uma verdade porque corresponde à realidade das coisas e, portanto, não depende de nossos gostos, nossas opiniões, nossas preferências, nossos preconceitos, nossas fantasias, nossos costumes e hábitos. Em outras palavras, não é subjetiva, não depende de nossa vida pessoal e psicológica. Essa objetividade, porém, para o empirista, a ciência não pode oferecer nem garantir.
A ciência, mero hábito psicológico ou subjetivo, torna-se afinal uma ilusão, e a realidade tal como é em si mesma (isto é, a realidade objetiva) jamais poderá ser conhecida pela nossa razão. Basta, por exemplo, que um belo dia eu ponha um líquido no fogo e, em lugar de vê-lo ferver e aumentar de volume, eu o veja gelar e diminuir de volume, para que toda a ciência desapareça, já que ela depende da re petição, da freqüência, do hábito de sempre percebermos uma certa sucessão de fatos à qual, também por hábito, demos o nome de princípio da causalidade.
Assim, do lado do empirismo, o problema colocado é o da impossibilidade do conhecimento objetivo da realidade.
No final do século XVII, a ciência tinha feito grandes progressos em física, biologia, astronomia e outras áreas. Impressionados com essas realizações, os filósofos começaram a pensar que talvez a ciência pudesse lançar uma nova luz sobre a filosofia moral — talvez as técnicas científicas pudessem explicar como pensamos, como compreendemos e como deveríamos viver em sociedade.
Essa abordagem científica abriu novos campos para a filosofia por proporcionar uma fonte potencial de conhecimentos sobre o ser humano. Ela deu esperanças aos filósofos de descobrir melhores formas de pensar sobre religião, direitos humanos e natureza humanas.
O sol nunca se põe no empirismo britânico
Muitos importantes filósofos empíricos dos séculos XVII e XVIII foram britânicos. Isso se deve em parte às dificuldades religiosas e políticas que a Inglaterra atravessava. Religião e governo muitas vezes ficavam fora de controle, mas pelo menos a realidade empírica estava quase sempre bem organizada!
*Sir Francis Bacon (1561-1626) propôs um programa para revisar o conhecimento
Antigo e adquirir novos conhecimentos com base na observação.
*Thomas Hobbes (1588-1679) fez derivar de princípios mecânicos sua filosofia da
Mente e do governo. Rejeitou a noção de ‘espírito imaterial’.
*Sir Robert Boyle (1627-1692) estudou física e química e inventou o barômetro.
*John Locke (1632-1704) descreveu o entendimento humano de maneira empírica, sustentou que não havia idéias inatas. Baseou suas concepções políticas na idéia dos ‘direitos naturais’.
O entendimento segundo Locke
O empirismo na Europa vinha ganhando fôlego havia várias décadas antes de o filósofo britânico John Locke o popularizar ao usá-lo para explicar como as pessoas conhecem
De acordo com Locke, o empirismo não é apenas uma forma de pensar para filósofos e cientistas, mas os fundamentos de como todos aprenderam o que sabem.
O empirismo é a idéia de que o conhecimento obtido por observação e experiência é mais confiável do que o conhecimento obtido somente pela especulação. Locke levou esta idéia mais longe afirmando que todo conhecimento advém de observação e experiência. Segundo ele, não há idéias inatas.
Uma idéia inata é aquela com que você nasce, Locke sustentou que não nascemos com nenhuma. Obtemos todas elas pela experiência: não apenas idéias de objetos realmente observados — como hidrantes e caldos de galinha — mas conceitos abstratos também, como número, forma e tamanho.
Locke fornece uma explicação detalhada de como obtemos todas as nossas diferentes e complexas idéias pela experiência no famoso Ensaio acerca do entendimento humano. Nessa obra, ele afirma que os sentidos e a mente funcionam em conjunto para transformar experiência em entendimento.
Segundo ele, nosso entendimento constitui-se de impressões, idéias, sensações e reflexões, e todas reagem à experiência e interagem entre si para produzir tudo que pensamos. Mesmo idéias imaginárias, como dragões, fantasmas e acertar na loteria, formam-se a partir de experiências reais.
“Sabedoria em ação: Use a idéia de Locke de que •. O entendimento se baseia na experiência para explicar por — que você vê as coisas de modo diferente dos outros. Por exemplo, se você cresceu sendo criticado por discutir, verá as coisas de forma diferente de alguém que foi encorajado a discutir. “
Sua mente estava vazia
Quando você nasce, observa Locke, sua mente é como uma lousa vazia (ou tabula rasa, em latim). Conforme você vê coisas, ouve sons e toca em objetos, aprende sobre eles. A experiência e a observação são como o giz que escreve conhecimentos na lousa vazia.
Esse ponto de vista reformulou a idéia aristotélica de que os objetos que percebemos estão na verdade dentro de nossas mentes quando os percebemos. Em vez disso, segundo Locke, sabemos das coisas somente porque nossas percepções produzem a partir delas sensações das quais formamos idéias. Essas idéias podem ser bem diferentes das próprias coisas.
O conhecimento é acidental?
O conceito de Locke de ‘entendimento’ como totalmente baseado na experiência foi contestado em sua época. Seu principal oponente, Gottfried Leibniz, reclamou que Locke não deu à lógica e à razão papéis suficientemente grandes no entendimento. Leibniz afirmou que a mente tem uma idéia da substância, do eu e de Deus sem jamais tê-los experimentado. Para Leibniz, a visão de Locke do entendimento deixou margens demais para o acaso. Não temos conhecimentos apenas por acaso, mas de acordo com um projeto natural, um plano divino.
Apesar das objeções, o pensamento de Locke foi popular e influente. As pessoas o estimavam pelo que afirmou sobre o conhecimento: o que sabemos está limitado à nossa experiência. Colocar esses limites no conhecimento significava que muito do que as pessoas achavam que sabiam teria de ser abandonado. De fato, Locke dedicou bastante tempo e energia criticando antigas concepções políticas.
“Retirar Deus do governo”
Locke não chegou ao ponto de negar a existência de Deus. Ainda que não possamos ter uma experiência de Deus, Locke afirmou que podemos demonstrar sua existência mais ou menos como um teorema geométrico. Locke atacou outra idéia ‘sagrada’ que muitos defendiam na época: o “direito divino dos reis”
Falência do direito divino dos reis
O direito divino dos reis justificara a monarquia por séculos. Ele foi defendido na época de Locke por um filósofo político hoje desconhecido, Robert Filmer. Filmer afirmou que todos os reis verdadeiros descendem diretamente de Adão, o primeiro homem criado por Deus.
De acordo com Filmer, Deus, ao conceder a Adão e seus descendentes o domínio sobre a Terra (como narra o Gênesis), também concedeu implicitamente o direito aos reis de governar as outras pessoas. Os reis adoraram Filmer e sua idéia, porque ela ajudava a assegurar a lealdade dos súditos. Mas na época de Locke a idéia do direito divino começava a ficar ultrapassada.
Locke viu algumas mudanças drásticas na forma de governo da Inglaterra. Testemunhou duas revoluções. A primeira envolveu uma guerra civil e resultou na decapitação de Carlos I.
A segunda, conhecida como a ‘revolução sem derramamento de sangue’, resultou na substituição do rei Jaime II pelo rei Jorge 1, da Alemanha.
Com todos esses reis se sucedendo como programas de TV ruins, a Inglaterra precisava repensar seu governo. Era claro que o governo por direito divino não estava funcionando.
Em vez do direito divino dos reis, Locke propôs um governo baseado na razão e nos direitos naturais.
Volta à natureza
Locke sustentou que as pessoas têm direitos naturais mesmo antes de se reunirem para formar uma sociedade. Esses direitos não dependem de nenhuma forma de governo ou de quaisquer acordos entre as pessoas. A idéia de uma sociedade humana natural que existe sem quaisquer leis ou acordos baseia-se no conceito de Thomas Hobbes do ‘estado da natureza’. Mas a natureza para Locke é um lugar bem mais ameno do que para Hobbes. Para este, o único direito ‘natural’ das pessoas é agredir umas às outras.
Para Locke, elas têm o direito natural de fazer escolhas livres, viver sem serem agredidas pelos outros e possuir propriedades, O que concede às pessoas o direito à propriedade, afirma Locke, é o trabalho que realizaram para obtê-la ou desenvolvê-la.
Alguém que ara e semeia o campo e colhe a safra, por exemplo, tem o direito de possuí-la, pois trabalhou para colhê-la. Locke afirma que esse direito é natural e não depende de uma forma específica de governo.
A associação entre trabalho e direito à propriedade ajudou a promover o ‘capitalismo’, a prática econômica de produzir bens e vendê-los para obter lucro. O capitalismo gradualmente substituiu o feudalismo na Europa. O ‘feudalismo’ é a estrutura econômica em que a terra pertence à nobreza e é cultivada pelos servos, esses servem à nobreza em troca de proteção. Locke diria que o feudalismo violava o direito natural das pessoas à propriedade.
Pacto social
Como todos têm direitos naturais, o governo deveria resultar do comum acordo entre todos os envolvidos. Ele denominou esse comum acordo “pacto (ou contrato) social”. As pessoas concordam em se reunir e serem governadas para ter seus direito protegidos.
Segundo Locke, esse acordo não precisava ser oficial, poderia ser implícito. Se você vive sem reclamar sob determinado governo, concorda implicitamente em viver segundo as regras dele. Ele lhe desagrada, disse Locke, você pode se mudar para outro lugar.
Trata-se de um grande avanço em relação ao conceito de direito divino dos reis. Muita gente aderiu, como o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau e os norte-americanos Thomas Jefferson Thomas Paine.
Assim como as idéias políticas de Locke e’ grande influência sobre filósofos políticos, suas idéias sobre o entendimento influenciaram filósofo empiristas. Dois filósofos em particular, o bispo, George Berkeley (1685-1753) e David Hume (l711- 1777), basearam-se nas idéias de Locke, fazendo considerações bem diferentes a partir delas.
Uma idéia melhor
Embora o empirismo de Locke fizesse sentido para muita gente, descobriu-se que tinha problemas. Um deles estava ligado à idéia de substância. Locke afirmou que a substância e embora tudo que possamos saber a respeito sejam idéias obtidas pelas nossas impressões; &. Disso, essas impressões não nos informam se o que sentimos é realmente substância.
A substância pode fazer nossos sentidos enviarem mensagens ao cérebro, mas ela não é o mesmo que essas mensagens. Como, então, Locke pode ter certeza de que a substância existe?
Berkeley e Hume apresentaram respostas diferentes a essa pergunta. Segundo Hume temos de admitir que não estamos certos de um monte de coisas — inclusive a substância, a causalidade e o próprio eu.
A resposta de Berkeley foi ainda mais estranha: a substância material não existe. Tudo que existe são idéias e as almas que as percebem. O único lugar onde algo existe, diz Berkeley, é a mente, ou alma. Para algo existir, alguém tem de percebê-lo. O que ninguém percebe não existe.
SE UMA ÁRVORE CAI NA FLORESTA..
Tome este livro, por exemplo, ou uma cadeira, ou suas unhas. Berkeley diria que essas coisas não têm existência material, não passam de idéias. Algumas são percebidas, outras lembradas e ainda outras inventadas com base em outras idéias alguma vez percebidas. O entendimento, segundo Berkeley, funciona como Locke descreveu, a não ser pelo fato de que não há substância material por trás dele.
Foi depois de ler Berkeley que alguém perguntou ao famoso filósofo: “Se uma árvore cair na floresta e ninguém estiver por perto para ouvir, ela fará algum som?”. Berkeley respondeu que todas as coisas existem na mente de Deus. Deus percebe tudo que existe.
Assim, as coisas podem continuar existindo indefinidamente e como realmente são, embora não passem de idéias. A árvore que cai, portanto, emite um som porque Deus está lá para ouvi-lo.
Temos algumas das mesmas idéias de Deus. Por outro lado, quando temos idéias erradas, o mundo não deixa de funcionar, porque Deus está aí o tempo todo com as idéias certas.
Por sustentar que as idéias existem na mente de Deus, independentemente das mentes humanas, Berkeley é, como Platão, um ‘idealista’. Segundo Platão, as idéias são a causa das coisas reais, sendo perfeitas e imutáveis. Berkeley, ao contrário de Platão, não distinguiu entre idéias e realidade material. Para Berkeley, a realidade material não é de modo algum real.
Embora para Berkeley existam apenas idéias, ele foi, de certo modo, um empirista também. As idéias, disse ele, são quase tudo que podemos experimentar. Nossa experiência e nossa observação só podem nos informar que temos idéias. Seria, portanto, um erro supor que exista algo além das idéias e das pessoas que as percebem.
Exceções: Deus e almas
Segundo Berkeley, só há duas coisas além das idéias: Deus e almas. Embora não possamos percebê-las diretamente, podemos descobrir que elas existem com base no modo como nossas idéias se mantêm unidas.
Berkeley viu Deus e as almas como a realidade por trás das impressões sensoriais, assim como Locke viu a substância material. Nossas impressões resultam em algo que é mais do que elas, assim, embora sejam tudo de que dispõe nosso pensamento, podemos ter certeza da existência de um mundo real. Locke e Berkeley simplesmente discordaram sobre de que consiste o mundo real — substância material ou Deus e almas.
Natureza ‘humana’
Locke e Berkeley focalizaram as impressões sensoriais como base do entendimento e tentaram descobrir o que podemos afirmar ao certo a partir delas. Outro filósofo que fez isso foi David Hume. Hume queria desenvolver uma ciência da mente e da natureza humana tão coerente e confiável como a física praticada por Isaac Newton e alguns de seus contemporâneos.
Em seus esforços para formular uma visão científica da mente, Hume topou com alguns obstáculos — criados por nossa incapacidade de pensar cientificamente sobre o mundo. Hume chega perto de usar a ciência contra si própria — para mostrar as limitações da ciência.
Hume tentou examinar o entendimento humano como os físicos vinham examinando a matéria, o movimento, a gravidade e outras forças natura Baseado em analogias observadas entre os processo físicos e mentais, ele propôs uma nova visão de como as impressões sensoriais se reúnem para formar idéias. Assim como os astros no espaço atraem-se mutuamente pela força da gravidade, nossas impressões também são atraídas umas pelas outras. A visão de Hume do funcionamento da mente é conhecida como ‘associacionismo’.
Associacionismo
As impressões sensoriais, afirma Hume, reúnem-se em nossas mentes se forem semelhantes umas às outras ou se as experimentarmos conjuntamente. Em outras palavras, elas se reúnem em nossas mentes por associação.
Por exemplo, podemos associar cães e pulgas porque costumamos experimentá-los junto. Essa associação contribui para nossas idéias sobre cães e pulgas. Nossa idéia completa sobre cães é formada por todas as associações que nossas mentes fizeram ao perceber cães, como os atos de babar, morder, correr atrás de gatos e cheirar de um jeito engraçado.
O associacionismo de Hume baseia-se em uma visão empírica do entendimento, assim como as idéias de Locke e Berkeley. Mas, para Hume, o associacionismo nos afasta do conhecimento empírico. Aquilo que conhecemos é formado com base em semelhanças e coincidências — relações não tão confiáveis quanto as leis científicas formuladas por Newton.
Forquilha de Hume
Parte do problema, disse Hume, deve-se à diferença entre fatos e razão. Essa ruptura é conhecida como ‘forquilha de Hume’. Fatos são apenas fatos. Você não pode usá-los para dizer algo seguro sobre outros fatos. Além disso, eles não são logicamente necessários. Não temos como saber se o que existe tem de existir ou se algo diferente poderia ter existido com a mesma facilidade.
Por outro lado, existem conexões lógicas que podemos estabelecer entre idéias. Mesmo assim, essas conexões informam apenas sobre as relações, não sobre os fatos. Isso significa que fatos e relações lógicas estão separados como as pontas de uma forquilha. Podemos associá-los em nossas mentes, mas são coisas diferentes. Fatos acidentais e relações lógicas não podem se unir para informar ao certo o que é a realidade. Tudo que podemos fazer, disse Hume, é levantar hipóteses.
Hume reclamou dos filósofos que equivocadamente fazem suposições sobre a razão baseada em fatos, e sobre fatos baseados na razão, para obterem idéias metafísicas a respeito da realidade. Deus, o eu e a causalidade são algumas dessas idéias equivocadas. Não podemos prová-las, nem relacionando-as a outras idéias nem por experimento.
Hume afirmou que tendemos a acreditar que as coisas têm causas, mas não é possível saber quais coisas em particular causam outras. Porque formamos crenças sobre causas baseados em associações que fizemos. Essas associações não nos informam como as coisas realmente acontecem.
Pelo contrário, elas refletem a maneira como nossos instintos naturais, hábitos e convenções sociais formaram nossas crenças sobre o mundo.
Em outras palavras, grande parte de nossa forma de pensar não depende da razão ou da experiência, mas da natureza humana. Hume apoiou-se nessa idéia da natureza humana para defender nossas crenças. Elas podem não ser exatamente verdadeira, mas precisamos delas para pensar, de modo que não devemos rejeitá-las.
VIRTUDE INTERIOR
Hume aplicou sua visão científica da natureza humana não apenas às crenças sobre fatos, mas também aos juízos morais. Ele comparou as idéias de virtude e vício às experiências de Newton sobre as cores.
Newton afirmou que a luz na verdade não possui cor. A luz produz uma sensação de cor em nossas mentes quando a vemos. De forma semelhante, as ações das pessoas em si não são boas nem más, mas produzem juízos de valor dentro de nós. Matar alguém, por exemplo, não tem um significado independente dos sentimentos das pessoas que tomaram conhecimento do assassinato. E apenas um fato. Esse fato, porém, faz as pessoas julgarem o assassinato algo ruim. Essa tendência a julgar faz parte da natureza humana. Está dentro de nós e não no evento ao qual reagimos. Nas palavras de Hume, “a beleza das coisas existe nas mentes que as contemplam”.
Emitir juízos sobre como as coisas deveriam ser com base em como elas são não é uma forma de pensar puramente lógica. Fatos e julgamentos de fatos não têm nenhuma relação lógica necessária. Os julgamentos, em outras palavras, não são ‘verdadeiros’ no sentido em que fatos podem ser verdadeiros.
Mas as pessoas gostam de acreditar que suas ações e juízos se baseiam em razões lógicas. Quando pensamos assim, diz Hume, estamos apenas nos enganando. Nossas ações e, em grande parte, nossas crenças são determinadas mais pelo desejo do que pela razão.
Falácia naturalista
A equivocada idéia de que podemos dizer o que deveria ser verdadeiro baseados no que é de fato verdadeiro denomina se falácia naturalista e foi descrita pela primeira vez por Hume. A falácia naturalista também é conhecida como ‘lei de Hume’, que afirma “de um deveria não se depreende nenhum é”.
A falácia naturalista é significativa porque priva a filosofia ética e moral de um fundamento sólido. A ciência e a lógica podem nos informar muito sobre a natureza do mundo. Segundo Hume, porém, essa informação não nos dá nenhuma idéia sobre como deveríamos agir.
Hume afirmou que o melhor que podemos fazer é seguir nossos instintos e convenções. Eles tendem a funcionar, é absurdo insistir que não funcionam só porque não conseguimos provar que são cientificamente confiáveis.
Mesmo assim, nem todos ficaram satisfeitos com a solução de Hume para os problemas da incerteza e da moralidade. Os filósofos continuaram tentando desenvolver uma base filosófica para o que conhecemos e o modo como deveríamos agir.
O mínimo que você precisa saber
*Locke usou o empirismo para explicar como funciona o entendimento humano.
*Todo entendimento baseia-se na experiência, segundo Locke não há idéias inatas.
*Locke propôs uma nova visão do governo baseada no direito natural à propriedade e no contrato social.
*Berkeley acreditava que só existem idéias, percebidas pelas almas humanas e Deus.
*Hume afirmou que a experiência, embora seja nossa única fonte de conhecimento, não pode nos informar muita coisa sobre a realidade. Assim, a maioria das crenças baseia-se no hábito, na convenção e na natureza humana.
Problemas do empirismo
O empirismo, por sua vez, se defronta com um problema insolúvel.
Se as ciências são apenas hábitos psicológicos de associar percepções e idéias por semelhança e diferença, bem como por contigüidade espacial ou sucessão temporal, então as ciências não possuem verdade alguma, não explicam realidade alguma, não alcançam os objetos e não possuem nenhuma objetividade.
Ora, o ideal racional da objetividade afirma que uma verdade é uma verdade porque corresponde à realidade das coisas e, portanto, não depende de nossos gostos, nossas opiniões, nossas preferências, nossos preconceitos, nossas fantasias, nossos costumes e hábitos. Em outras palavras, não é subjetiva, não depende de nossa vida pessoal e psicológica. Essa objetividade, porém, para o empirista, a ciência não pode oferecer nem garantir.
A ciência, mero hábito psicológico ou subjetivo, torna-se afinal uma ilusão, e a realidade tal como é em si mesma (isto é, a realidade objetiva) jamais poderá ser conhecida pela nossa razão. Basta, por exemplo, que um belo dia eu ponha um líquido no fogo e, em lugar de vê-lo ferver e aumentar de volume, eu o veja gelar e diminuir de volume, para que toda a ciência desapareça, já que ela depende da re petição, da freqüência, do hábito de sempre percebermos uma certa sucessão de fatos à qual, também por hábito, demos o nome de princípio da causalidade.
Assim, do lado do empirismo, o problema colocado é o da impossibilidade do conhecimento objetivo da realidade.
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