segunda-feira, 3 de outubro de 2016

TESTE AVALIATIVO 3ª SERIE ( A ÉTICA NA HISTÓRIA)

CENTRO EDUCACIONAL 06 – GAMA / DF
PROF: DENYS F. DA COSTA
DISCIPLINA : FILOSOFIA                                                                                      DATA: ____/_____/_____
NOME:_______________________________________________________Nº_____ SÉRIE:______
TESTE AVALIATIVO( 3ª SERIE)
TEXTO BASE ( A ÉTICA NA HISTORIA)
PARTE :I – JULGUE OS ITENS ABAIXO (CERTO OU ERRADO), CONFORME O TEOR DO TEXTO BASE  OFERECIDO PARA CONSULTA.
A)(   ) A não existência de normas e verdades universais, era uma característica do pensamento sofista.
B) (    ) SÓCRATES , CONCORDAVA COM AS IDÉIAS DOS SOFISTAS.
C) (  ) PLATÃO ERA CONSIDERADO RACIONALISTA POR defender  a diferença entre corpo e alma.
d) (   ) No plano ético o individuo não age conforme a razão.
e) (   ) a principal característica da ética estoica , era que a ética baseava-se na paz interior.
f) (   ) A ética epicurista visava o desvio da dor e a procura do prazer espiritual.
g)(   ) Aristóteles desenvolveu a ética naturalista.
h) (   ) Para Aristóteles agir corretamente seria praticar as virtudes.
i) (   ) Aristóteles não admitia uma ética do meio termo para ele o fato era certo ou errado , justo ou injusto.
j)(    ) Na idade média a ética não tinha vinculo com o pensamento grego.
k) (   ) A ética do livre arbítrio foi concebida por Santo agostinho
l) (   ) Tomas de Aquino retomou em grande parte a ética de Aristóteles.
m) (   ) No Iluminismo a Ètica ainda continuou seguindo os princípios regidos na Idade média.
N) (   ) No iluminismo, o homem volta a ser o centro das atenções.
o) (   ) Kant, aponta a razão humana como legisladora dos costumes.
p)(   ) Para Kant, as normas morais não teriam sua origem na razão.
q) ( ) A racionalidade é a única fonte legítima da moralidade.
r) (    ) Kant não admite uma lei universal.
s) (   ) A ética kantiana não é uma ética formal.
t) (   )Hegel concorda integralmente com o pensamento ético de Kant.
PARTE II – SUBJETIVA
OBSERVAÇÃO: DAS 6 QUESTÕES ABAIXO RESPONDA APENAS 5.
OBSERVAÇÃO II – EM CADA QUESTÃO DESENVOLVA EM ATÉ 4 LINHAS.
1)      De acordo com o texto, é possível uma moral universal? Responda com argumentos.
2)      Platão e Aristóteles desenvolveram uma espécie de ética racionalista, porém a concepção aristotélica tinha algumas diferenças. Assim cite e comente essas diferenças.
3)      Qual o principal argumento da ética cristã?
4)      Como Santo Agostinho desenvolveu o conceito de livre arbítrio.
5)      Esclareça o conceito de Kant sobre as normas morais  que devem ser obedecidas como deveres.
6)      Qual a critica de Hegel em relação as concepções éticas de kant.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

TEXTO BASE PARA TESTE AVALIATIVO 3º BIM

CENTRO EDUCACIONAL 06 – GAMA / DF
PROF: DENYS F. DA COSTA
DISCIPLINA : FILOSOFIA                                                                                      DATA: ____/_____/_____
TEXTO BASE PARA TESTE AVALIATIVO ( 2º Série)

                                                                                             DEMOCRACIA
Texto 01
Na Grécia antiga, o termo designava, basicamente, o regime do "demos".
Por extensão, a palavra democracia, originada de demokratia, passou a significar poder popular, governo do povo. A democracia, nas cidades·· gregas, só foi alcançada após longa evolução através do aristocrático, e da tirania. Atenas representa, na Grécia, o modelo democrático, enquanto Esparta, o oligárquico. Os fundamentos da democracia grega eram: a igualdade diante da lei (isonomia), o direito de receber honrarias por mérito pessoal e não pela hereditariedade, o direito de apelar aos tribunais e assembleias, o direito de votar e de participar do governo. Na prática, entretanto, a democracia grega era exercida apenas pelos cidadãos. Apenas alguns milhares, porém dela não participam os libertos, as mulheres, os metecos e os escravos.
Do Império Romano até o século XVIII, os ideais democráticos foram declinando no plano mundial à vista do sistema, quase universal, de Estados absolutistas (v. Absolutismo), nos quais o rei exercia a autoridade baseada no direito de origem divina. No entanto, em algumas regiões europeias, constatou se a ascensão de instituições políticas representativas, como aparecimento de parlamentos e outros organismos de índole democrática.
No século XVIII, o crescimento da indústria e do comércio e a consequente urbanização fizeram surgir uma classe média* e, também, uma classe trabalhadora capazes de trazerem de volta a democracia. Não obstante, esse século conheceu uma forma de autoritarismo intitulada despotismo esclarecido*, em especial na Áustria e na Rússia. No ressurgimento democrático, papéis importantes desempenharam pensadores e literatos vinculados a um movimento de ideias e princípios que se chamou Iluminismo, cuja participação nas origens intelectuais da Revolução Francesa* foi decisiva. O regime por esta instauração, de caráter burguês e libera!), estabeleceu o princípio da democracia indireta. A concepção liberal teve o seu mentor original no francês Benjamin Constant no famoso discurso "A liberdade dos antigos comparada com a dos modernos", estabeleceu os princípios da liberdade individual em relação ao Estado. Esses princípios correspondem aos ideais burgueses. No século XIX surgiu uma nova expressão, democracia cristã, definida através de organizações que, sob vários nomes, puderam ser consideradas como democratas cristãs. A democracia cristã vem sendo entendida como um movimento de caráter universal que pugna pela formação de um Estado do qual os valores do cristianismo* devem dominar e orientar a política. Os documentos de base que orientam . essa política são, essencialmente, os emanados do Vaticano, entre outros, as encíclicas Rerum Novarum, Pacem in Terris, Populorum Progressio. A democracia cristã surgiu no século XIX através de partidos políticos que defendiam os interesses da classe média, alcançando importância universal no século seguinte depois da segunda guerra mundial. Esses partidos adquiriram maior renome na. Alemanha e na Itália. O desenvolvimento econômico do pós-guerra acentuou o contraste entre a democracia liberal e a democracia social. Do ponto de vista desta última, quando os recursos econômicos fossem escassos, caberia ao Estado prover a sua justa distribuição para garantir a prosperidade. Trata-se, então, de uma democracia  consentida na qual a luta pelo poder inevitável nos outros tipos de democracia - perderia sua razão de ser. Ao promover o bem-estar público, a igualdade e o crescimento econômico, a democracia social tomaria explicável e aceitável a ausência do povo na constituição do governo. O modelo democrático perfeito, entretanto, requer a livre competição de ideias, um processo eleitoral equilibrado - o que, na verdade, alguns países têm conseguido e um alto grau de tolerância e lealdade entre os diversos grupos e interesses em confronto. Em determinados países influenciados, política ou ideologicamente, pelo socialismo - Albânia, Tchecoslováquia, Coréia do Norte, Vietnã, Hungria, China e em consequência de revoluções constituíram-se as denominadas democracias populares. De modo geral orientadas por liderança marxista, essas democracias transformaram-se ou tendem a transformar-se em ditaduras*. Uma de suas características reside na existência de vários partidos, na manutenção da propriedade privada e na indenização em caso de nacionalização. As transformações políticas e sociais operadas nas democracias populares, salvo exceção, parecem ter ocorrido de modo pacífico, sem que os direitos da burguesia tenham sido eliminados.

TEXTO 02
A política de Platão
Inimigo da democracia foi Platão, o maior dos discípulos de Sócrates. Em A república, apresenta-nos um Estado ideal desenvolvido a partir da constituição militarista de Esparta. Divide o Estado em três classes: os governantes, exército e o povo.
Esta última classe (formada por artesãos, agricultores, comerciantes, profissionais liberais e escravos) não lhe merece o menor respeito. Totalmente exclui do governo, devem curvar-se às leis que lhes são impostas. Nem lhes cabe buscar consolo na religião dos antepassados. Criada pelo Estado, a religião comparece como poderoso instrumento de domínio bem como a literatura e as artes. Embora duramente reprimido, compete ao povo suprir o Estado da produção pastor- agrícola e industrial.
Aos incorporados no exército são negados quaisquer direitos privados. Não podem ser proprietários, não podem constituir família e o Estado controla a horas de lazer. A união sexual tem como finalidade única a procriação, sendo os casais e a data das conjunções determinadas pelo Estado por critérios políticos e de eugenia. A educação começa desde a infância e é, em todas as etapas, controlada pelo Estado para os interesses deste e não do indivíduo. Também o exército permanece excluído do governo. Velar pela segurança externa e interna é a sua única função. A admissão da mulher no exército e na educação, que poderia ser considerada um progresso, visa, contudo, aos exclusivos interesses do Estado.
            A classe dos governantes é constituída pelos filósofos, recrutados entre os militares, depois dos cinquenta anos. Únicos detentores da verdade, compete-lhes legislar autoritariamente o Estado sem vigilância de outra classe. Já que os conteúdos metafísicos aos quais devem adequar as leis lhes são minuciosamente prescritos, suspeitamos que já não lhes cabe o nome de filósofos a eles atribuído. Se tomamos Sócrates como protótipo de filósofo, os governantes da República, presos a um sistema preconcebido e rígido, não se parecem nada com ele. Assemelham-se antes a sacerdotes de uma religião secreta, dogmaticamente elaborada pelo fundador.
Platão localiza na psique três seções correspondentes à divisão do Estado: a razão, a vontade e as paixões. Cabe à razão descobrir as leis que regem o homem, a tarefa da vontade é executá-las, espera-se que as paixões as cumpram. A vontade regida pelas paixões leva a desmandos semelhantes aos que ocorrem no Estado governado pelo povo.
Como se vê, os mesmos motivos que requerem um Estado autoritário submetem o corpo ao imperativo da razão. O homem é cópia do Estado a que está subordinado.
Esta política e esta psicologia expelem da República os poetas, cultores dos senti mentos. Como poderia tolerá-los quem organiza um Estado aristocrático que recorre à razão para dominar? Não admira que as simpatias caiam sobre a poesia marcial de Tirteu.
Boa ilustração do sistema platônico vê-se no “mito da caverna”. Imaginem- se escravos algemados desde sempre com o rosto voltado para o fundo da caverna. O sol que brilha fora projeta sobre a superfície rochosa as sombras dos que passam pela abertura. Os escravos, por não terem tido outro contato com a realidade senão as sombras moventes, não admitem a existência de outros seres além destes. Ocorre que um dos escravos se liberta e busca a luminosidade exterior. No primeiro instante, os raios do sol o cegam. Habituando porém, à luz, percebe o mundo verdadeiro de quem apenas conhecia as sombras, tidas como reais. A alegria da descoberta o faz retornar à prisão para denunciar o mundo de ilusões em que todos vivem. Os companheiros, tomando-o como insolente, o matam ofendidos.
Na alegoria platônica, a caverna sombria é o nosso mundo cotidiano percebido pelos sentidos O sol é a luz da verdade a iluminar essências eternas (as ideias) de que apenas percebemos sombras móveis. Libertar-nos das impressões sensoriais, Para vermos as coisas como realmente são, é tarefa dos filósofos. A turba ignara e revoltada, preferindo a ilusão dos sentidos à luz da verdade, silencia os arautos da suprema sabedoria.
A imagem do homem comum não poderia ser mais negra.
DONALDO SCHÜLLER. Literatura grega, p. 77-9.
Texto : 03
PLATÃO: O GOVERNO DOS FILÓSOFOS
                Platão era uma família aristocrática e por parte de sua mãe, Perictione, descendia de Sólon, o grande legislador ateniense . ele viveu durante o período de decadência da democracia de Atenas, por isso chegou a pensar que aquela forma de democracia não fosse uma boa forma de governo. Platão pensava que os melhores e mais capazes são  os que deveriam governar a cidade, ao contrário do que ocorria na democracia, na qual qualquer cidadão poderia ser eleito e assumir o governo, tivesse ele ou não capacidade e preparo para isso.
Dedicou-se então a pensar qual seria a melhor forma de governar e, entre os vários pretendentes a governante, qual seria o mais bem preparado. O pensamento político de Platão foi trabalhado principalmente em três de seus diálogos: A república, dedicado a pensar sobre a perfeita organização de uma cidade; O político, cujo tema é o conhecimento e necessário ao político no exercício de um governo bom e justo; e As leis, em que discute a ação dos cidadãos e a constituição de leis que regulem essas ações, visando ao bem de todos.
No diálogo A república Platão afirma que a pessoa mais bem preparada para governar é o filosofo, uma vez que ele é capaz de, por meio do exercício da razão, contemplar a ideia de justiça e assim governar justamente. Isso levou-o a afirmar que, para que haja um bom governo, ou reis se tornam fil6sofos ou os filósofos se tornam reis. Uma cidade perfeita seria aquela governada pelos mais sábios, praticantes da filosofia donos de um caráter racional; os detentores de um caráter irascível (colérico, que se irrita facilmente), por serem corajosos, se dedicam à proteção e segurança da comunidade; e aqueles de caráter concupiscível (ambicioso) seriam os responsáveis pela produção dos bens necessários à sobrevivência de todos. Uma cidade assim organizada, administrada com justiça, possibilitaria que cada um fosse feliz, vivendo da maneira mais adequada a seu caráter, ao mesmo tempo que contribui para a comunidade de acordo com suas capacidades. Graças a soma das capacidades de todos , a cidade seria autossuficiente e feliz.

TEXTO EXTRAÍDO DO LIVRO:
 FILOSOFIA , EXPERIÊNCIA DO PENSAMENTO- GALLO,Sílvio


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A ÉTICA NA HISTÓRIA ( TEXTO BASE PARA AVALIAÇÃO ORAL )

CENTRO EDUCACIONAL 06 – GAMA/DF
PROFº : DENYS F. DA COSTA
DISCIPLINA : FILOSOFIA
TEXTO BASE PARA O TESTE ORAL
A ÉTICA NA HISTÓRIA
                Vejamos de forma resumida, algumas das reflexões éticas que marcaram os grandes períodos históricos. Para isso, retomarem os aspectos do pensamento de algumas filósofos estudados anteriormente. Daremos destaque as concepções de Aristóteles , na Antiguidade, santo Agostinho , na Idade Média, Immanuel Kant , na idade Moderna..
·         ANTIGUIDADE : ÉTICA GREGA
A preocupação com os problemas éticos teve início de forma mais sistematizada na época de Sócrates , filosofo também conheço como “ o pai da moral”. Vejamos  o que disseram os principais filósofo gregos desse período sobre essa questão.
        Os sofistas afirmavam que não existem normas e verdades universalmente  válidas. Tinham portanto uma concepção ética relativistas ou subjetivista.
        Ao contrario dos sofistas, Sócrates sustentou a existência de um saber universalmente válido, que decorre do conhecimento da essência humana, a partir da qual se pode conceber a fundamentação de uma moral universal. E o ser humano é essencialmente razão. E  é na razão , portanto , que devem ser fundamentadas as normas e costumes morais. Por isso , dizemos que a ética socrática é racionalista. O indivíduo que age conforme a razão age corretamente.
Platão desenvolveu o racionalismo ético iniciado por Sócrates, aprofundando a diferença entre corpo e alma. Argumentava que o corpo, por ser a sede de desejos e paixões, muitas vezes desvia o indivíduo de seu caminho para o bem. Assim, defendeu a necessidade de uma depuração do mundo material para alcançar a ideia de bem. Segundo Platão, o ser humano não consegue caminhar em busca da perfeição agindo sozinho. Necessita, portanto, da sociedade, da pólis. No plano ético, o indivíduo bom é também o bom cidadão.
Depois do período clássico grego, o estoicismo desenvolveu uma ética baseada na procura da paz interior e no autocontrole individual, fora dos contornos da vida política. Assim, o princípio da ética estoica é a apatia [apathe/a). atitude de entendimento de tudo o que acontece, e o amor ao destino [amor [até), porque tudo faria parte de um plano superior guiado por uma razão universal que a tudo abrangeria. Desse modo atingia-se a ataraxia, ou imperturbabilidade da alma.
A ética do epicurismo, de forma semelhante, defendia a atitude de desvio da dor e procura do prazer espiritual, do autodomínio e a paz de espírito [ataraxia].
• Ética do equilíbrio
Aristóteles também desenvolveu uma reflexão ética racionalista, mas sem o dualismo corpo-alma platônico. Procurou construir uma ética mais realista, mais próxima do indivíduo concreto. Para tanto, perguntou-se sobre o fim último do ser humano. Para o que tendemos? E respondeu: para a felicidade. Todos nós buscamos a felicidade.
E o que entende Aristóteles por felicidade? Para o filósofo, a felicidade não se confunde com o simples prazer, o prazer das sensações ou o prazer proporcionado pela riqueza e pelo conforto material. A felicidade última e maior se encontraria na vida teórica, que promove o que há de mais essencialmente humano: a razão.
O individuo que se desenvolve no plano teórico, contemplativo, pode compreender  a essência da felicidade e, de forma consciente, guiar  sua conduta. Mas isso, no contexto histórico da Grécia antiga , seria privilégio  de uma minoria . Segundo o filosofo, a pessoa comum, aquela que não pode se dedicar à atividade teórica, aprenderia a agir corretamente pelo hábito, isto é, por meio da prática constante e reiterada de ações.
Assim, agir corretamente seria praticar as virtudes. E o que seria a virtude? Em sue obra Ética a Nicômaco, Aristóteles explica:
A excelência moral/virtude moral! então, é uma disposição da alma relacionada com a escolha de ações e emoções, disposição esta consistente num meio-termo determinado pela razão. Trata-se de um estado intermediário, porque nas várias formas de deficiência moral há falta ou excesso do que é conveniente tanto nas emoções quanto nas ações, enquanto a excelência moral encontra e prefere o meio-termo. (p. 421 )
A coragem, por exemplo, seria uma virtude situada entre a covardia (a deficiência) e a temeridade [o excesso. Assim, o filósofo propôs uma ética do meio-termo, na qual a virtude consistiria em procurar o ponto de equilíbrio entre o excesso e a deficiência.
Mas observe que esse ponto de equilíbrio não é fixo, isto é, não pode ser estabelecido de antemão, pois varia de acordo com a circunstância ou ocasião [onde, quando, quanto, com quem, com o quê, como etc). Por exemplo: não é exatamente coragem reagir em um assalto a mão armada. Ou seja, não é esse tipo de atitude que garante a excelência moral de uma pessoa. Como explicou Aristóteles:
[.1 tanto o medo como a confiança, o apetite, a ira, a compaixão e em geral o prazer e a dor, podem ser sentidos em excesso ou em grau insuficiente; e, num caso como no outro, isso é um mal. Mas senti-los na ocasião apropriada, com referência aos objetos apropriados, para com as pessoas apropriadas, pelo motivo e da maneira conveniente, nisso consistem o meio-termo e a excelência característicos da virtude. [Etica a Nícomaco, p. 273.]
Também é importante notar que, tanto em Platão como em Aristóteles, a ética estava vinculada à vida política. Aristóteles refere-se mesmo à política corro um meio da ética, pois sendo o ser humano, por natureza, um ser sociopolítico, necessitaria da vida em comum para alcançara felicidade como plenitude de seu bem-estar.
·         IDADE MÉDIA : ÉTICA CRISTÃ
O que diferencia radicalmente a ética cristã da ética Grega são dois pontos;
·         O abandono da visão mundana a ética cristã deixa de lado a ideia de que o fim último da vida humana está neste mundo. Com isso , centrou a busca da perfeição moral no a amor a Deus;
·         Emergência da subjetividade – acentuado a tendência já esboçada na filosofia de estico ponto de vista estritamente pessoal, como uma relação entre cada indivíduo e deus, isolando-o de sua condição social e atribuindo à subjetividade  uma importância até então desconhecida.
Os filósofos medievais herdaram alguns elementos da tradição filosófica grega, reconfigurando-se  no interior de uma ética cristã. Santo Tomás de Aquino( século XIII) por exemplo, recuperou da ética aristotélica a ideia de felicidade com fim último do ser humano, mas cristianizou essa noção ao identificar Deus como a fonte dessa felicidade.
·         ETICA DO LIVRE ARBÍTRIO.
Santo Agostinho (354 – 430) transformou a ideia de depuração da alma da filosofia de Platão na ideia da necessidade de elevação ascética para compreender os desígnios de Deus. Também a ideia da imortalidade da alma , presente  em Platão, foi retrabalhada pelo filosofo sob a perspectiva cristã.
        Mas a ética agostiniana destaca-se por outro conceito. Ao tentar explicar  como pode existir o mal se tudo vem de Deus , e Deus é bondade infinita, Santo Agostinho  introduziu a ideia de liberdade  como libre –arbítrio, isto é a noção de que cada individuo tem a possibilidade de escolher como agir, de acordo com sua própria vontade. Portanto pode optar livremente por aproximar –se de Deus  ou por afastar-se  Dele. O afastamento de Deus  seria o mal, de acordo com o filósofo .
        Isso significa que , com a noção de livre – arbítrio de escolha individual, Agostinho acentuou o papel da subjetividade humana nas coisas do mundo. O livre- Arbítrio seria o meio pelo qual o ser humano exerce sua liberdade, que consiste em escolher  entre o bem  e o mal. De outro lado, esse conceito esvaziou a noção grega de liberdade com possibilidade de realização plena do indivíduos em seu meio social. Em outras palavras, diminuiu a importância da dimensão social da liberdade, e esta passou a ter um caráter  mais pessoal , subjetivo individualista.
·         IDADE MODERNA : ÉTICA ANTROPOCÊNTRICA
Com o final da Idade Média , marcado pelo renascimento, o ser humano torna-se novamente o centro de interesse por meio do humanismo. No terreno da reflexão ética , esse fato orientou uma nova concepção moral, centrada na autonomia humana.
No  Iluminismo, essa orientação fica mais evidente , pois os filósofos passam a defender a ideia de que a moral deve ser fundamentada não mais em valores religiosos, e sim naqueles oriundos da compreensão do que é a natureza humana.
A concepção mais expressiva  do período moderno a respeito da natureza humana é a de uma natureza racional, que encontra em kant sua formulação mais bem acabada.
·         Ética do dever
Em seus textos Crítica da razão prática e fundamentação da metafísica dos costumes, o filósofo alemão Emanuel kant (1724 – 1804), aponta  a razão humana como uma razão legisladora, capaz de elaborar  normas  universais , uma vez que constitui um predicado universal dos seres humanos , isto é, uma capacidade comum a todos. As normas  morais teriam , portanto sua origem na razão.
Embora , em Kant , as normas morais devam ser obedecidas como deveres , a noção Kantiana de  dever confunde-se com a própria noção de Liberdade. Isso ocorre porque, em seu pensamento, o indivíduo que obedece a uma norma moral atende à liberdade da razão, ou seja, aquilo que a razão, no uso de sua liberdade, determinou como correto. Dessa forma, a sujeição à norma moral é o reconhecimento de sua legalidade, conferida pelos próprios indivíduos racionais.
Kant reforça essa ideia ao dizer que um ato só pode ser considerado moral quando praticado de forma autônoma; consciente e por dever. Com isso, acentua, o reconhecimento do dever como uma expressáp’ca’ racionalidade humana, única fonte legítima da moralidade. A clareza dessa ideia é assim expressa pelo filósofo:
Age apenas segundo uma máxima [um princípio] tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal. [Fundamentação da metafísica dos costumes, p. 59.]
Essa exigência é denominada por Kant de imperativo categórico, ou seja, é uma determinação imperativa, que deve ser observada sempre, em toda e qualquer decisão ou ato moral que venhamos a praticar Em outras palavras, o filósofo quer dizer que nossa ação deve ser tal que possa ser universalizada, ou seja, realizada por todos os outros indivíduos sem prejuízo para a humanidade. Se não puder ser universalizada, não será moralmente correta e só acontecerá como exceção, nunca como regra. Vejamos como Kant se expressa a esse respeito:
Se prestarmos atenção ao que se passa em nós mesmos sempre que transgredimos qualquer dever, descobriremos que na realidade não queremos que a nossa máxima se torne lei universal, porque isso nos é impossível; b contrário dela é que deve universalmente continuar a ser lei; nós tomamos apenas a liberdade de abrir nela uma exceção para nós. [Fundamentação da metafísica dos costumes, p. 631
E por que realizamos atos contrários ao dever e, portanto, contrários à razão? Kant dirá que é porque nossa vontade é também afetada pelas inclinações
— que são os desejos, as paixões, os medos —, e não apenas pela razão. Por isso ele afirma que devemos educar a vontade para alcançar a boa vontade, que seria aquela guiada unicamente pela razão.
Em resumo, a ética kantiana é uma ética formal ou formalista, pois postula o dever como norma universal, sem se preocupar com a condição individual, em que cada um se encontra diante desse dever Em outras palavras, Kant nos dá a forma geral da ação moralmente correta (o imperativo categórico], mas não diz nada acerca de seu conteúdo, não diz o que devemos fazer em cada situação concreta.
·         IDADE CONTEMPORÂNEA: ÉTICA DO INDIVÍDUO CONCRETO.
A REFLEXÃO ÉTICA NA Idade Contemporânea  ( século XIX  e XX )desdobrou-se  em uma série de concepções distintas acerca do que seja a moral e sua fundamentação. Seu  ponto comum é a recusa de uma fundamentação exterior  transcendental para a moralidade, centrando no individuo concreto a origem dos valores  e das normas morais.

Um dos primeiros passos  na formulação de uma ética do indivíduo concreto foi dado por Hegel, em sua crítica ao formalismo de Kant.

·         FUNDAMENTAÇÃO HISTÓRICO –SOCIAL
 Como diversos autores contemporâneos , o filósofo alemão Friedrich Hegel (1770 – 1831 ) questionou o formalismo da ética . Para ele, ao não levar  em consideração a história e a relação do indivíduo com a sociedade , a ética de Kant  não apreende o conflitos reais existentes na decisões  morais. Kant teria considerado a moral apenas como uma questão pessoal , íntima  e subjetiva , na qual o sujeito  deve se decidir  entre suas inclinações (desejos, medos, etc.) e sua razão.
         De acordo com Hegel , portanto , a moralidade assume conteúdos  diferenciados  ao longo da história das sociedades, e a vontade  individual seria apenas um dos elementos da vida ética de uma sociedade  em seu conjunto. A moral seria o resultado da relação entre  o indivíduo e o conjunto social. E em cada momento histórico a moral se manifestaria tanto nos códigos normativos como implicitamente, na cultura  e nas instituições sociais. Desse modo, Hegel vinculou a ética à história  e a sociedade.




Texto extraído do livro : FUNDAMENTO DE FILOSOFIA
COTRIM, Gilberto e Mirna Fernandes
Ed. SARAIVA



sexta-feira, 1 de abril de 2016

TEXTO BASE PARA 1º AVALIAÇÃO DO BIMESTRE 3º SÉRIE( TESTE ORAL) - CRÍTICA DAS IDEOLOGIAS E DO SENSO COMUM “

CENTRO EDUCACIOANL 06 – GAMA /DF
PROF: DENYS F. DA COSTA
DISCIPLINA : FILOSOFIA
TEXTO BASE PARA AVALIAÇÃO ORAL DO BIMESTRE
“CRÍTICA DAS IDEOLOGIAS E DO SENSO COMUM “
Seguramente, você já ouviu ou pronunciou, várias vezes, expressões como: “Deus ajuda a quem cedo madruga”; “filho de peixe, peixinho é”; “todo político é corrupto”. E você já se perguntou sobre o fundamento dessas ou outras expressões? Quando a nossa atitude traz a dúvida, a interrogação, a problematização, está nascendo a dimensão filosófica em nossa razão, que é essencialmente crítica. Trata-se da percepção e da crítica dos pressupostos subjacentes às afirmativas e aos discursos. Assim, o filosofar é uma constante busca pela razão de ser e pelo sentido de cada afirmativa.
A reflexão filosófica é filha do tempo. Assim, os conceitos são historicamente construídos. Nas muitas tradições ou nas diversas escolas filosóficas que existem em nossa civilização, há muitos conceitos abordados que, ao serem confrontados, aparecem antagônicos. Assim, um mesmo conceito poderá ser abordado de forma bem distinta entre os diferentes pesadores. Alguns filósofos chegam a absolutizar um conceito, outros, ao contrário, exaltam a dimensão positiva desse conceito. Um exemplo disso vemos, aqui, no conceito de ideologia.
Historicamente, diferentes sentidos foram atribuídos à ideologia. Originariamente, em conformidade com o criador do termo, o filósofo francês Antoine Destutt de Tracy (1796-1836), significava a ciência das ideias que sustentavam a vida social. Nesse sentido, o objetivo dessa ciência, chamada ideologia, seria o de estudar a origem e o desenvolvimento de  nossas ideias.
Contudo, não demorou muito para que os intelectuais e revolucionários alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1829-1885) atribuíssem à ideologia um sentido ,pejorativo, o sentido negativo de ilusão, de consciência deformada ou invertida da realidade, produzida pela classe dominante. Nessa visão, a ideologia é instrumento da classe hegemônica para mascarar a realidade, para impedir nos dominados a consciência da dominação, da opressão. E o mais grave é que a ideologia consegue fazer com que o oprimido coloque a culpa em si mesmo e não perceba a relação dialética entre o empobrecido e o enriquecido. Dessa forma, a ideologia realiza uma inversão da vida real.
A consciência jamais pode ser outra coisa do que o ser consciente, e o ser dos homens é o seu processo de vida real. E, se, em toda a ideologia, os homens e suas relações aparecem invertidos  numa câmara escura, tal fenômeno decorre de seu processo histórico de vida, do mesmo modo por que a inversão dos objetos na retina decorre de seu processo de vida diretamente físico[. ..} Totalmente ao contrário do que ocorre na Filosofia alemã, que desce do céu à terra, aqui se ascende da terra ao céu. Ou, em outras palavras: não se parte daquilo que os homens dizem, imaginam, ou representam, e tampouco dos homens pensados, imaginados e representados para, a partir daí, chegar aos homens de carne e osso; parte-se dos homens realmente ativos [...].
MARX, Kar]; ENGELS, Friedrich. A Ideologia alemã. Trad. José Gados I3runi; Marco Aurélio Nogueira. São Pardo:
l-Iucitec, 1989. p. 37. (Fragmento)




DESVELANDO IDEOLOGIAS E ALIENAÇÕES
                Segundo Marx, a ideologia é sempre um mascaramento da realidade, uma forma de pensar que não é expressão da realidade vivida pelos homens, mas tentativa de universalizar um jeito específico de pensamento, tentativa de universalizar interesses particulares.
  Com a criação e a universalização de uma concepção particular; a ideologia opera uma inversão da realidade, fazendo algo ou aparecer ou parecer ser, que em realidade não é. Por exemplo, quando alguém diz: “O cara é pobre porque é preguiçoso.”, essa afirmativa é uma ideia ou uma ideologia? Urna ideia que expressa a realidade, verificada na prática, ou uma ideologia, algo criado, na mente de grupos particulares, para determinar uma forma específica de pensar?
Para Marx, a função principal da ideologia é proceder a uma inversão da realidade, fazer com que a realidade apareça de uma determinada forma, conveniente a um grupo específico e dominante. Portanto, a ideologia, em Marx, tem a função de não permitir a percepção da alienação, alienando a consciência, impedindo a revolta contra a dominação. Sem precisar recorrer à violência física, a ideologia mantém a “unidade” e a “coesão” da sociedade, escondendo as distorções, mascarando as desigualdades sociais e ocultando a exploração. Assim, podemos dizer que a ideologia é instrumento de alienação da mente do oprimido, fazendo-o pensar e agir da maneira que convém à classe dominante. Essa consciência invertida da realidade é massificação, falta de pensamento autônomo, porque vê o que a ideologia quer que seja. Assim, a ideologia camufla a divisão existente dentro da sociedade, apresentando-a como una e harmônica, como se todos partilhassem dos mesmos objetivos e ideais.
 Generalizar ou universalizar interesses particulares é a grande estratégia da ideologia. Ela orienta e legitima as ações de determinados grupos na história. A realidade nos aparece invertida pela ótica da ideologia. Diante de determinadas realidades injustas e absurdas (sem sentido), ouve-se repetidamente: “Deus quer assim”; “o carma que eu preciso carregar”; “A situação está negra”; “Do pau que nasce torto até a cinza é torta”, “Querer é poder”. Ou, ainda, “Os pobres não enriquecem, porque  não se esforçam”, ou “Esta criança não aprende porque não é inteligente”. Na verdade, a causa real de os pobres não enriquecerem ou de a fome continuar não está na possível preguiça individual, mas no modelo de desenvolvimento e de sociedade.
Ao impor a sua visão de mundo como “a realidade”, a classe dominante também é influenciada por sua própria ideologia. Ao universalizar a particularidade de sua posição social, ela estabelece como “natural” a sua dominação, a tal ponto que a “ordem estabelecida” não lhe pareça ideológica, e sim justa e natural.
Dessa forma, a ideologia aliena as mentes, tornando-as reféns de um pensar que lhes é estranho, externo. E justamente isso que significa o termo alienação, tornar-se alheio, pertencer a outro, perder a autonomia. Por isso, é correto afirmar que a ideologia, em conformidade com o pensamento de K. Marx, gera a alienação, impedindo a formação de uma consciência crítica da realidade, mascarando, ocultando a opressão e a injustiça social. -
Nesse contexto de universalização de uma única forma de pensar, de formatação das mentes para não enxergarem a realidade, a postura filosófica se mostra na pergunta: “será?”. Aqui, a Filosofia deve exercer o seu papel de crítica das ideologias. E preciso diferenciar e não confundir uma realidade natural  com uma realidade normal. É normal, portanto, cultural, vermos entre nós pobreza e miséria, mas não é natural a pobreza e a miséria, uma vez que são criação humana. Fazer essas distinções se torna fundamental para mudar a nossa postura diante da vida.
Em suma, positivamente, a ideologia exerce a função de articuladora do grupo social, tornando a sociedade unida em torno de crenças comuns que fazem justamente a força das tradições. No sentido negativo, a unidade é falsa, pois esconde a divisão injusta, os preconceitos, as unilateralidades da sociedade para manter a dominação. Nesse sentido, a ideologia torna-se um poderoso instrumento de dominação por homogeneizar as diferenças individuais, regionais ou culturais e as desigualdades entre as classes sociais. A ideologia anestesia as consciências sociais em proveito das classes hegemônicas.
Essa ideologia é veiculada das mais diversas maneiras: pelos meios de comunicação de  massa, família, escola, igreja, Exército, empresas, etc. É preciso perceber que não há neutralidade. Sempre há interesses em jogo. É preciso discernir se o que está em jogo é o bem comum ou interesses particulares.
Corno resultado da ação das ideologias, temos o senso comum, no qual encontramos um modo de pensar ingênuo e acrítico, permeado pela ideologia que impede a visão autônoma, gerando uma mentalidade preconceituosa, já que é irrefletida.
Considerando o tema da ideologia em sua relação com a produção da alienação, a Filosofia se realiza como saber desperto, crítico, atento às sutilezas, hábil no diagnóstico de distorções presentes nos discursos e das contradições presentes na sociedade.
Texto extraído do livro FILOSOFIA POR UMA INTELIGÊNCIA DA COMPLEXIDADE
MEIER, Celito